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segunda-feira, 11 de fevereiro de 2019

ORIENTAÇÕES AOS PACIENTES COM ESTEATOSE HEPÁTICA


Para minimizar  e prevenir os danos causados pelo fígado gorduroso, algumas mudanças nos hábitos de vida são imprescindíveis. Veja a seguir, algumas orientações:


  1. Reduza a ingestão de carboidratos e dê preferência  aos alimentos integrais .
  2. Evite gorduras saturadas ( carne vermelha , manteiga, frituras, etc) e dê preferência às gorduras boas (castanhas, abacates, azeite de oliva , etc); evite as frituras, as refeições gordurosas e diminua o óleo utilizado para preparar as refeições.
  3. Aumente a ingestão de fibras (cereais integrais, farelos como gérmen de trigo, farinha de linhaça e de outras sementes, aveia, legumes crus, verduras e frutas).
  4. Faça refeições leves, com porções menores e mais frequentes; se possível, faça de cinco a seis refeições ao dia.
  5. Evite consumir em excesso bolos com recheios e coberturas, balas, chocolates,sorvetes e doces em geral.
  6. Prefira sempre os alimentos grelhados , cozidos ou assados, carnes magras, leite e derivados desnatados.
  7. Evite a ingestão de líquidos durante as principais refeições.
  8. Reduza o consumo de sal. Experimente limão e ervas aromáticas, como manjericão, orégano e cheiro-verde, para temperar os alimentos.
  9. Evite a ingestão de bebidas alcoólicas.
  10. Exercite-se diariamente. Esta prática ajuda a controlar o peso e a 'queimar' a gordura armazenada.
  11. Evite grandes perdas de peso em curtos períodos de tempo. Isto piora o grau da Esteatose Hepática. Fuja de dietas milagrosas. Emagreça saudavelmente, aos poucos e sempre com orientação médica e nutricional.
Além de manter o peso saudável, alguns cuidados com a alimentação ajudam no tratamento da esteatose hepática. Porém, não deixe de procurar o médico para avaliar qual o melhor tratamento individualizado para o seu caso.

sexta-feira, 25 de maio de 2018

PERGUNTAS E RESPOSTAS SOBRE A ESTEATOSE HEPÁTICA




  • O QUE É ESTEATOSE HEPÁTICA?


A ESTEATOSE HEPÁTICA ( gordura no fígado) é uma das formas mais comuns de doença hepática, relacionada primordialmente ao aumento progressivo da obesidade na população mundial. 
Caracteriza-se pelo acúmulo de lipídeos no interior dos hepatócitos (células hepáticas), excedendo 5% do peso do fígado.
No passado considerada uma hepatopatia de curso benigno, atualmente sabe-se que é uma doença complexa e que envolve fatores ambientais e predisposição genética.



  • QUAL A FISIOPATOLOGIA DA DOENÇA?


O principal mecanismo desta doença é relacionado à síndrome metabólica, tendo como elemento importante a RESISTÊNCIA À INSULINA, que leva a um aumento de lipídeos no fígado. 
Posteriormente ocorre o estresse oxidativo, o aumento da peroxidação lipídica e a produção anormal de citocinas inflamatórias, que levam à lesão celular e fibrose.



  • QUAIS SÃO OS CRITÉRIOS PARA O DIAGNÓSTICO DA SÍNDROME METABÓLICA?


A presença de pelo menos 3 ou mais dos seguintes fatores:

*** Circunferência abdominal maior de 102 cm nos homens e maior de 88 cm nas mulheres
*** Pressão arterial maior ou igual a 130/85 mmhg
*** Triglicérides maior 150 mg/dl
*** HDL colesterol (bom colesterol) menor que 40 mg/dl nos homens e menor que 50 mg/dl nas mulheres
*** Glicemia de jejum maior ou igual a 110 mg/dl


  • QUAL A IMPORTÂNCIA DO TRATAMENTO DA ESTEATOSE HEPÁTICA ?


A importância consiste no fato de que o acúmulo de gordura no fígado pode evoluir para ESTEATO-HEPATITE (hepatite gordurosa), INSUFICIÊNCIA HEPÁTICA, CIRROSE (fibrose) e até mesmo para CARCINOMA HEPATOCELULAR.


  • QUAIS AS PRINCIPAIS CAUSAS DE ESTEATOSE HEPÁTICA?


Obesidade, diabetes mellitus, desnutrição proteico-calórica, cirurgia de bypass jejunoileal, nutrição parenteral total, dislipidemias, hepatite C, doença de Wilson, hipotireoidismo, drogas, síndrome de Reye, substâncias tóxicas e AIDS.


  • QUAIS OS MEDICAMENTOS QUE PODEM CAUSAR ESTEATOSE HEPÁTICA?


Estrógenos sintéticos (anticoncepcionais), aspirina, corticóides, bloqueadores dos canais de cálcio (anti-hipertensivos), amiodarona (anti-arrítmico), tamoxifeno, tetraciclina, metotrexato, maleato de pirexileno, ácido valpróico, isoniazida e cloroquina.


  • COMO É FEITO O DIAGNÓSTICO?


A Esteatose Hepática é geralmente assintomática.Em geral, os pacientes não apresentam queixas nos estágios iniciais da doença e somente começam a ter sintomas como fadiga, desconforto abdominal à direita, perda de peso e fraqueza, quando a doença já está mais avançada ou há presença de cirrose.
Na maioria das vezes,  a doença é suspeitada ou descoberta por acaso em avaliações de rotina, normalmente por meio de ultrassonografia abdominal ou exames laboratoriais abrangendo as enzimas hepáticas.
A alteração laboratorial mais frequente na esteatose hepática é a elevação das enzimas AST e ALT (TGO e TGP). A gama GT pode estar aumentada em cerca de 50% dos pacientes.


  • QUAL A PREVALÊNCIA DA DOENÇA NO BRASIL?


Um estudo realizado pela Sociedade Brasileira de Hepatologia (SBH) em 2011,avaliou as características clínico e epidemiológicas da esteatose hepática em 16 centros médicos distribuídos pelas cinco regiões do Brasil. Os dados mostraram que a maioria dos indivíduos era do sexo masculino (53,3%), 85% eram assintomáticos e a maioria (58%) já apresentava Hepatite Gordurosa e, desses, 27% apresentavam algum grau de fibrose, incluindo 15,4% de cirrose.



  • QUAL É O TRATAMENTO DA ESTEATOSE HEPÁTICA?



Mudanças dos hábitos de vida, como uma dieta pobre em lipídeos e baixo teor calórico associada à prática de atividade física regular, são mandatórios.
O principal objetivo consiste na perda de peso (pelo menos 7 a 10% do peso inicial), sendo esta a medida mais eficaz no controle da doença. (evitar perdas rápidas de peso para não piorar o acúmulo de gordura e inflamação hepática).
Tanto os exercícios aeróbicos como os treinos de resistência parecem ser efetivos no controle do depósito de gordura no fígado, porém a prática necessita ser regular e contínua.
A terapia farmacológica é utilizada em pacientes portadores de esteatose hepática e que têm risco de evoluir para as formas mais graves. Dentre as drogas usadas estão a Vitamina E, Metformina e Pioglitazona, que devem ser indicadas e prescritas por um médico capacitado no tratamento da doença.



SAIBA MAIS EM: 

O IMPACTO DA OBESIDADE NO SISTEMA DIGESTIVO

ESTEATOSE HEPÁTICA - GORDURA INOCENTE NO FÍGADO?



Hábitos de vida saudáveis agregam saúde e bem-estar. Sempre é tempo de se iniciar uma dieta equilibrada e a prática de atividades físicas regulares!











sexta-feira, 31 de julho de 2015

1ª Caminhada de Conscientização e Prevenção da Esteatose Hepática




Um em cada três indivíduos adultos apresentam o distúrbio, que está associado ao maior risco de desenvolver doenças do fígado, cardiovasculares e diabetes.

Preocupados com o aumento de pacientes que apresentam Esteatose Hepática - gordura no fígado, médicos hepatologistas (especialistas em doenças do fígado e responsáveis pelo tratamento da Esteatose Hepática e suas consequências) criaram a caminhada para divulgar o distúrbio, pouco conhecido pela maioria da população e que é responsável pela incidência de doenças do fígado, cardiovasculares e diabetes. A 1ª Caminhada de Conscientização da Esteatose Hepática (Gordura no Fígado) ocorrerá no dia 2 de agosto, no Parque Villa-Lobos, em São Paulo, das 10 às 14 horas. O evento é organizado pela Sociedade Brasileira de Hepatologia (SBH).
Os médicos, juntamente com nutricionistas e promotores de atividade física, estarão reunidos no evento para orientar a população de forma gratuita, em uma carreta que ficará estacionada no Parque Villa-Lobos. A expectativa é de que 10 mil pessoas participem da caminhada.
Na ocasião, a professora de ginástica Solange Frazão interagirá com o público, caminhando pelo parque. Ela também apresentará uma palestra sobre “Saúde do Fígado e Exercício”. Folhetos explicativos sobre o problema serão distribuídos na entrada do parque e ao longo da caminhada. Durante o evento, os interessados poderão assistir a vídeos explicativos sobre o que é essa alteração, como reconhecer a esteatose, causas mais frequentes, consequências desse diagnóstico, formas de prevenção e tratamento. Além disso, aparelhos que permitem o diagnóstico do distúrbio serão demonstrados.
O distúrbio acomete um em cada três indivíduos adultos, mas o número ainda é maior em obesos graves e diabéticos. Ele se caracteriza pelo acúmulo de gordura no interior das células do fígado e pode ser provocado por vários fatores como hepatites, abuso de álcool, obesidade e uso de medicamentos, mas a causa mais importante é uma doença pouco conhecida, a Doença Hepática Gordurosa não Alcoólica (DHGNA). Nela, a maioria das pessoas apresenta apenas o acúmulo de gordura, mas 20% a 30% delas podem evoluir para doença mais grave do fígado, chamada de esteatoepatite não alcoólica, que pode levar à cirrose e até ao câncer de fígado.


"A DHGNA atinge 30% dos adultos, segundo pesquisa recente na cidade de São Paulo, e é uma alteração silenciosa que não causa sintomas”, afirma o presidente da Sociedade Brasileira de Hepatologia (SBH), Edison Roberto Parise. Grande parte dos casos são descobertos por meio de exames de rotina, como ultrassom, ou exame de sangue, com elevação das enzimas do fígado. Outro exame que costuma estar relacionado é a elevação dos níveis de ferritina no sangue.
A doença tem origem genética e é agravada pelo estilo de vida sedentário e a má alimentação, com a grande ingestão de carboidratos e gorduras saturadas (gordura animal). Obesidade e diabetes, que são as doenças que mais atingem pessoas no mundo, são os principais fatores associados ao problema. Nessas populações o problema pode ultrapassar 70% dos indivíduos. Segundo o Dr. Edison Parise, “a esteatose é encontrada mais frequentemente em indivíduos na faixa dos 40 a 50 anos, mas vem crescendo entre os adolescentes em função do estilo de vida sedentário que eles levam.” Além disso, o presidente alerta para o crescimento do uso de anabolizantes nas academias, que também acaba afetando uma população muito jovem e levando à esteatose e DHGNA.
A obesidade visceral, pré-diabetes, diabetes, baixa do bom colesterol, alta dos triglicérides, pressão alta, aumento da circunferência da cintura e síndrome metabólica podem denunciar o problema.


Os primeiros passos para o tratamento são a mudança para um estilo de vida saudável, alimentação equilibrada e atividade física frequente.

Serviço
1ª Caminhada de Conscientização da Esteatose Hepática (Gordura no Fígado)
Data: 02 de agosto de 2015 (domingo)
Horário: das 10 às 14 horas
Local: Parque Villa Lobos
Endereço: Av. Prof. Fonseca Rodrigues, 2001 - Alto de Pinheiros – SP
Informações: www.sbhepatologia.org.br ou 
www.tudosobrefigado.com.br
Telefone: (11) 3812-3253
Evento Gratuito






sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

O Impacto da Obesidade no Sistema Digestivo


A obesidade, atualmente considerada uma doença, surge como uma verdadeira epidemia no cenário mundial moderno, causando complicações e/ou co-mordidades que frequentemente levam ao óbito.
Trata-se pois, do maior desafio de saúde pública do século: estima-se que mais de 1,6 bilhões de pessoas estejam acima do peso ideal (sobrepeso) e 400 milhões sejam obesas.
A maior preocupação da obesidade é que ela é um fator de risco importante para algumas das doenças mais prevalentes do Mundo, como a doença coronariana, acidente vascular cerebral, diabetes, hipertensão arterial sistêmica e osteoartrite. Além disso, alterações digestivas comuns também se relacionam com a obesidade:
  • o refluxo gastroesofágico e a esofagite
  • a esteatose hepática
  • os cálculos da vesícula biliar
  • o aumento da incidência de alguns cânceres neste sistema.(ex: câncer colorretal)

REFLUXO GASTROESOFÁGICO
O aumento da prevalência da obesidade e do refluxo gastroesofágico em populações ocidentais durante os últimos 50 anos sugerem uma clara associação entre estas duas condições. Estudos mostraram um aumento da incidência de refluxo gastroesofágico em torno de uma a duas vezes e meia em pacientes com aumento do índice de massa corpórea, assim como as complicações desta doença, como a queimação retroesternal (azia), regurgitação, esofagite erosiva e câncer de esôfago. O aumento do diâmetro abdominal também estava relacionado ao aumento da incidência de esôfago de Barrett, que é uma adaptação da mucosa do esôfago ao trauma causado pelo líquido refluído. Esta relação entre a obesidade e o refluxo decorre da redução da pressão do esfíncter (músculo) inferior do esôfago, da presença de hérnia de hiato, aumento da pressão intra-abdominal e intragástrica (dentro do estômago) e alteração da motilidade do esôfago, que são alterações decorrentes do excesso de peso.


LITÍASE BILIAR
Na vesícula biliar, a obesidade está associada à formação de cálculos de vesícula, que ocorre com incidência de 2 a 3 vezes maior que na população geral, principalmente nas mulheres. O aumento do índice de massa corpórea também se associa ao câncer de vesícula nas mulhreres, mas não nos homens.

ESTEATOSE HEPÁTICA
Em relação ao fígado, a presença de esteatose hepática (acúmulo de gordura no fígado), cirrose hepática e câncer hepático são associados com a obesidade. Na população geral, a incidência de esteatose hepática é de 3 a 24%, mas sobe para 58 a 74% em obesos.


CÂNCER COLORRETAL
O aumento de peso está também relacionado com o aumento de risco de desenvolvimento câncer de intestino grosso (duas vezes mais, principalmente em homens) e de pólipos adenomatosos (precursores do câncer intestinal). A incidência deste tumor é diretamente proporcional ao aumento do índice de massa corpórea e da circunferência abdominal.


A obesidade está ligada ao desenvolvimento de diversos tipos de câncer.
De acordo com o Instituto Nacional do Câncer (Inca), a prática de atividade física e uma alimentação saudável podem reduzir em 63% os tumores de boca, faringe e laringe. O controle da obesidade pode fazer com que o câncer de mama tenha sua incidência reduzida em 30%. Desta forma, temos que repensar nossa alimentação, pois ela pode ser fator de proteção ou aumentar os riscos de desenvolvimento do câncer. Precisamos aumentar o consumo de frutas, fibras, verduras, legumes e peixes, e deixar de lado alimentos ricos em açúcares e gorduras saturadas, como refrigerantes e alimentos industrializados.

Sabe-se que uma pessoa obesa gasta em média 42% a mais por ano com tratamentos médicos do que alguém com peso adequado, o que também reflete um problema social e financeiro da obesidade. Em um País em desenvolvimento como o nosso, este dado é extremamente relavante. Quanto ao grande número de alterações digestivas associadas ao aumento de peso, é comprovado que a redução do peso traz diminuição da incidência e do risco de progressão destas doenças. Desta forma, o cuidado com o peso extrapola e muito a simples questão estética que está ligada a esta doença tão comum em nosso meio.

Por conta do crescimento da obesidade, o Brasil tem registrado um aumento no número de cirurgias bariátricas, popularmente conhecida como redução do estômago, que é indicado no tratamento da obesidade mórbida. No ano de 2009 o Brasil realizou 30 mil cirurgias, um crescimento de 500% nos últimos 10 anos.
A diminuição do tamanho do estômago para perda de peso é recomendada quando o índice de massa corporal (IMC) é maior que 40kg/m² em pessoas com idade superior a 18 anos, seja homem ou mulher. O procedimento pode ser recomendado, ainda, se o IMC estiver entre 35kg/m² e 40kg/m² e o paciente em questão tiver comorbidades como diabetes, hipertensão arterial, apnéia do sono, hérnia de disco ou outras doenças associadas à obesidade. É válido lembrar que a cirurgia bariátrica é a última opção para o paciente que já tentou, sem sucesso, reduzir o peso por métodos tradicionais.




Tenha uma dieta saudável e mantenha a prática de exercícios físicos de maneira regular.
Se necessário, tenha acompanhamento de profissionais habilitados, como nutricionistas, preparadores físicos e médicos.

                                    BUSQUE SAÚDE E QUALIDADE DE VIDA!


quinta-feira, 29 de abril de 2010

Esteatose Hepática - gordura inocente no fígado ?

A Esteatose Hepática (EH) , também conhecida popularmente como "fígado gorduroso" , é o acúmulo de gordura no interior das células hepáticas ( hepatócitos), excedendo 5% o peso do fígado.
Nas últimas 3 décadas, o "fígado gorduroso" tem sido alvo de grande interesse e investigação científica.
Pensava-se anteriormente que este processo só ocorresse nos casos de ingestão excessiva de álcool (esteatose alcoólica), porém esteatose não alcoólica pode ocorrer em diabéticos, em obesos ou com sobrepeso (faixa intermediária entre o normal e a obesidade), nos que usam certos tipos de medicamentos ou são expostos a algumas substâncias, nos desnutridos e em pessoas com distúrbios do metabolismo lipídico (colesterol e/ou triglicérides elevados). Outra condição que é associada à presença de esteatose hepática é a hepatite C crônica.
Desta forma, podemos dividir os pacientes que podem apresentar EH em 3 grupos:
  • Etilistas crônicos / ingestão abusiva de álcool
  • Portadores de Hepatites virais crônicas ( especialmente hepatite C )
  • Portadores de doença hepática gordurosa não-alcoólica (DHGNA)


A prevalência mundial da DHGNA na população é em torno de 20%  e  atualmente a EH é diagnosticada com maior frequência devido a ampla utilização dos métodos de imagem ( ultrassonografia, tomografia e ressonância magnética ) no diagnóstico de doenças abdominais.


Classificação e principais causas de DHGNA

Há vários motivos pelos quais o metabolismo natural de gordura pode ser alterado e levar à DHGNA.
O mais estudado está relacionado a resistência dos tecidos ao hormônio insulina, que regula e influencia todos os processos metabólicos que envolvem açúcares e gorduras. Com a resistência à insulina, há aumento da lipólise (transformação dos lipídeos em ácidos graxos, especialmente na forma de triglicérides), com o aumento no aporte de ácidos graxos ao fígado.

Causas:

Primária
Resistência a insulina 
  • Diabetes mellitus tipo 2 ou intolerância à glicose
  • Obesidade
  • Hiperlipidemia ( colesterol/triglicérides elevados )
Medicamentos
  • Corticosteróide ( reumatismos, asma )
  • Estrogênios ( anticoncepcionais )
  • Amiodarona ( arritimias )
  • Metotrexato 
  • Nifedipina ( hipertensão )
  • Salicilatos ( AAS )
  • Tamoxifeno
  • Tetraciclina
  • Isoniazida
  • Cloroquina
Secundária
Cirurgias
  • Gastroplastia 
  • Bypass jejunoileal 
  • Ressecções extensas do intestino delgado
  • Derivação biliopancreática
Outros
  • Abeta/hipobetalipoproteinemia
  • Doença de Weber-Christian
  • Toxinas industriais
  • Diverticulose  com supercrescimento bacteriano
  • Desnutrição proteico-calórica
  • Nutrição parenteral prolongada
  • Perda rápida de peso
  • Hipotireoideismo
  • Lipodistrofia
  • Doença inflamatória intestinal
  • Infecção por HIV

Pode ocorrer desde apenas a presença de gorduras no fígado (esteatose) até a esteato-hepatite (inflamação), fibrose e cirrose hepática. O principal mecanismo conhecido é a resistência insulínica (os tecidos não respondem bem à ação da insulina), comum nos diabéticos tipo II e nos obesos.
 
 
A ilustração acima nos mostra as diferenças entre um fígado saudável e um esteatótico. Observem o tamanho e a coloração amarelada do fígado gorduroso. Nas imagens de biópsias, pode-se notar a presença de gordura ( branca ) no meio do tecido hepático.



Qual o risco de se ter um "fígado gorduroso" ( esteatose hepática)?

A esteatose hepática, em si, não é uma doença, mas reflete uma doença metabólica.A EH pode ser encontrada isoladamente ou associada a achados necroinflamatórios das células do fígado, caracterizando a Esteato-Hepatite.  Infelizmente, por um motivo ainda desconhecido, o organismo desencadeia uma inflamação contra os hepatócitos com acúmulo de gordura, que são gradualmente destruídos. Dependendo da intensidade desta destruição, isso pode levar à formação de fibrose (cicatrizes) que vão se acumulando e progredindo até a formação de nódulos, o que caracteriza a cirrose. Nesta fase a função hepática encontra-se seriamente comprometida, às vezes, de forma irreversível.
Estudos populacionais demonstraram ainda que provavelmente grande parte das cirroses previamente sem causa definida pode ser atribuida a esse tipo de hepatite.


Quais são os sintomas de EH?
A maioria dos pacientes não apresenta sinais ou sintomas de doença hepática na ocasião do diagnóstico, embora alguns pacientes possam relatar fadiga, mal-estar, dor ou desconforto no quadrante superior direito do abdomem. Hepatomegalia (aumento do fígado) pode ser o único achado ao exame físico, ao passo que achados de doença hepática crônica ou diminuição do número de plaquetas sugerem doença avançada.

Como é realizado o diagnóstico de EH?
Em geral, o diagnóstico é feito de maneira acidental pelo encontro de elevação nas enzimas hepáticas ( ALT e AST ) e/ou pela presença de esteatose ao ultrassom de abdomem ou pelo encontro de hepatomegalia ao exame físico.
Alteração dos níveis de ferritina é encontrada na metade dos pacientes. Os valores sanguíneos dos triglicérides estão mais frequentemente elevados do que os níveis de colesterol e a concentração sanguínea do HDL (bom colesterol) está geralmente reduzida, parecendo existir uma relação inversa entre os valores do HDL e a intensidade da esteatose.

Esteatose versus esteato-hepatite


A diferenciação entre a esteatose "simples" e a esteatose com inflamação associada nem sempre é fácil e só pode ser confirmada pela biópsia hepática. A elevação das aminotransferases (AST e ALT), na ausência de outras causas (como a hepatite C, que tende a cursar com o aparecimento de uma esteatose), geralmente indica a presença de inflamação. Um dos sinais laboratoriais mais precoces, apesar de pouco específico, é o aumento da gama-glutamil transferase (GGT).
Uma esteatose hepática leve normalmente não causa sintomas ou complicações. Porém, quanto maior e mais prolongado for o acúmulo de gordura, maiores os riscos de lesão hepática. Quando há gordura em excesso e por muito tempo, as células do fígado podem sofrer danos, ficando inflamadas. Este quadro é chamado de esteato-hepatite ou hepatite gordurosa. Se não tratado, pode evoluir para cirrose.
Estudos epidemiológicos definiram que os pacientes com maior risco para progressão da doença são: maiores que 45 anos, relação AST/ALT > 1, obesidade e diabetes.



Qual o tratamento da esteatose hepática?

Não existe tratamento específico para esteatose. O alvo deve ser o tratamento dos fatores de risco citados acima. A fase de esteatose pode ser reversível apenas com alterações dos hábitos de vida.

Nos casos de esteatose associada ao consumo do álcool, a abstinência torna-se mandatória. Nos casos de pacientes portadores de hepatite C, a erradicação viral é acompanhada, em geral, com o desaparecimento da esteatose. Em muitos casos,  suspendendo-se o uso de algum medicamento hepatotóxico ou afastando-se da exposição a produtos tóxicos, temos a melhora do quadro esteatótico.
Sendo a obesidade um fator importante para o aparecimento da doença hepática gordurosa não alcoólica ( DHGNA), a redução de peso naqueles pacientes obesos tem sido a primeira iniciativa.
A perda de peso é uma importante medida, porém, não deve ser muito rápida ( máximo de 1,5 kg por semana) para não piorar do quadro de deposição de gordura no fígado . A prática regular de atividade física e a redução da ingestão calórica também ajudam muito, pois diminuem o colesterol e aumentam o efeito da insulina.
Diversos tratamentos farmacológicos para DHGNA estão sendo propostos, mas nenhum tem estudo comprobatório da sua eficácia. Os mais promissores são: genfibrozil ( hipolipemiante ), acido ursodeoxicólico ( reduz ácidos biliares, imunoprotetor e estabilizador de membrana ), agente antioxidantes (N-acetilcisteína,betaina e vitamina E ) e agentes que atuam na redução da resistência períferica à insulina ( metformina e glitazonas). Aguardamos futuras pesquisas onde estes agentes serão utilizados em estudos duplo-cego, placebo controlados.