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quinta-feira, 11 de abril de 2013

Helicobacter pylori: a bactéria resistente ao meio ácido do estômago

Em tempos de cientificismo e de profusas descobertas científicas, realmente podemos dizer que a Medicina é uma ciência de verdades transitórias. Explico.
Quando se poderia supor, há poucas décadas passadas, que lesões ulcerosas gástricas poderiam ser tratadas por meio de antibióticos e não com a técnica cirurgia de Gastrectomia?
Sim; em idos tempos não muito distantes, a cirurgia que retirava parte do estômago de um paciente com úlcera gástrica era um dos únicos tratamentos efetivos para a cura da doença.
É neste cenário de ciência e novas descobertas que os pesquisadores  australianos WARREN e MARSHALL, em 1983, isolaram a "Helicobacter pylori" no estômago de pacientes com gastrite crônica e levantaram a hipótese de que esta bactéria fosse a causadora da doença.
A relevância de suas observações, entretanto, foi tardiamente reconhecida e laureada com o prêmio Nobel de Fisiologia e Medicina em 2005, pela descoberta da "Bactéria Helicobacter pylori e seu papel na etiopatogenia da gastrite e da doença ulcerosa péptica".



O que é " H. pylori"?

É uma bactéria espiralada que se adere à mucosa gástrica por meio de seus flagelos. Infecta o estômago e ali sobrevive em meio ácido tão hostil graças a sua capacidade de converter a uréia presente no suco gástrico, em amônia e gás carbônico.
O "H. pylori" tem cepas com diversidade genética e virulências variáveis, causando doenças como Gastrite Crônica, Úlceras pépticas gástricas e duodenais, Adenocarcinoma Gástrico e Linfoma MALT.

Embora a organização Mundial de saúde (OMS) estime uma alta taxa de infecção entre a população mundial ( em torno de 50%), muitos indivíduos infectados não desenvolvem sintomas ou dano gástrico. Contudo, ainda assim, 17% dos indivíduos infectados desenvolverão úlcera péptica, 4% destes têm complicação da úlcera e 1% progredirá para o câncer gástrico.
A OMS considera o "H. pylori" um agente carcinogênico.

Uma vez assestada na mucosa do estômago, a bactéria produz uma série de citotoxinas e enzimas tóxicas que destroem as células gástricas e desequilibram os mecanismos de defesa epitelial.



Qual a sua prevalência?

A infecção pelo "H. Pylori" é universal, mas se observa que é significativamente menos prevalente nos países industrializados.
A infecção pela bactéria ocorre comumente na infância, atingindo taxas de 30 a 50% e persistindo no estômago a menos que tratada. A prevalência entre adultos nos países em desenvolvimento é em média de 80%, enquanto em países desenvolvidos é menor que 40%.
Estudos epidemiológicos realizados no Brasil evidenciaram que a prevalência da infecção é semelhante entre homens e mulheres, aumenta com a idade e é maior nas classes econômicas mais baixas.


Como se adquire o " H. pylori"?

A infecção dá-se geralmente por contato direto ou ingestão de água e alimentos contaminados.
O exato mecanismo de transmissão ainda é desconhecido. É consenso universal que a bactéria só consegue alcançar a mucosa gástrica pela boca, pois não é um microrganismo invasivo.
A cavidade oral tem sido proposta como reservatório de infecção e reinfecção pelo "H. pylori", pois a regurgitação do suco gástrico pode contaminar a boca.




Quais os sintomas?

A infecção pelo "H. pylori" poderá evoluir de forma sintomática ou assintomática.
Embora a imensa maioria das pessoas infectadas não apresente repercussões clínicas, um grupo pequeno estará exposto ao desenvolvimento de gastrite, úlceras pépticas e, em um menor grau, ao risco de neoplasias.
Os sintomas, quando presentes, podem ser: dor epigástrica (estômago),  desconforto abdominal, empachamento, náuseas, vômitos, dor de cabeça, halitose, fraqueza, entre outros.


Diagnóstico

Os exames que detectam a bactéria são divididos em :

Invasivos
São aqueles que requerem tecido gástrico para detectar o microrganismo:
  • Endoscopia digestiva alta com biópsias
  • Teste da urease
  • Estudo histológico
  • PCR
  • Cultura
Não Invasivos
  • Antígeno do "H.pylori" nas fezes
  • Sorologia de anticorpos IGM e IGG para HP no sangue
  • Teste Respiratório

Tratamento


É realizado com esquema terapêutico específico que envolve a combinação de dois antibióticos e protetores gástricos. O tratamento dura cerca de 7 dias e a taxa de erradicação da bactéria é em torno de 90%.


Reinfeção e Resistência bacteriana

A recorrência do "H. pylori", após a erradicação bem-sucedida, é rara em países desenvolvidos e mais frequente em países em desenvolvimento, ficando em uma proporção de 2,6% e 13%, respectivamente.
Outro problema comumente enfrentado atualmente é a resistência do "H. pylori" aos antibióticos  usados na sua erradicação.
Nestes casos, é feito o retratamento com novos esquemas terapêuticos, que contemplam outras classes de antibióticos e têm duração de 10 a 14 dias.





segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Avalie o seu risco para Câncer Intestinal


Avalie seu Risco


Responda ao TESTE e descubra qual a melhor forma de se prevenir:

Saiba como evitar o câncer colorretal

O Câncer Colorretal ( CCR), também conhecido como de Câncer de Intestino, corresponde a aproximadamente 15% de todos os casos de câncer.  Trata-se de uma doença 100% evitável, mas que faz cada vez mais vítimas no Brasil. Ele atinge a parte final do intestino, que abrange o intestino grosso (também chamado de cólon) e o reto. É importante ressaltar que quando diagnosticado em estágios iniciais, este câncer tem mais de 80% de cura. 
Quase sempre, o CCR surge como um pólipo (lesão frequentemente benigna) que cresce na parede do intestino e que pode tornar-se um câncer caso não seja diagnosticado e retirado a tempo. Quando se faz uma colonoscopia preventiva e se encontra o pólipo, basta retirá-lo para  se prevenir o câncer. 


Assim, tratar os pólipos no início e adquirir hábitos preventivos aumenta as chances de cura, que são altas no caso câncer colorretal.

A maior utilização do exame de sangue oculto nas fezes e da colonoscopia diminuiu a taxa de mortalidade nos últimos anos. Outra estratégia importante de prevenção é adquirir hábitos saudáveis. A alimentação com alto teor de gordura e poucas fibras favorece o aparecimento da doença, bem como a obesidade, o sedentarismo e o tabagismo.
Existem ainda fatores não controláveis, mas que exigem atenção para que o acompanhamento médico seja ainda mais cuidadoso. Ter mais que 50 anos de idade, ter colite ulcerativa ou Doença de Crohn, pólipos não detectados e tratados, câncer de mama, ovário ou útero, além de histórico familiar dessas doenças são um sinal de alerta para o câncer colorretal.
Apesar de todos esses fatores, a doença pode fazer vítimas que não se incluem entre eles. Com uma boa detecção, através de exame físico, de sangue oculto nas fezes, colonoscopia ou retossigmoidoscopia, a doença tem grandes chances de ser curada.

O que é rastreamento?

A maioria dos pólipos cresce lentamente, mantendo-se benignos por longos períodos de tempo antes de se transformarem em câncer. Estima-se que esse período de transformação da sequência adenoma-carcinoma seja de 10 anos. Neste período, menos de 10% dos pacientes apresentam algum tipo de sintoma, fazendo assim com que a grande maioria seja diagnosticada em fase avançada da doença. Em função de sua alta prevalência, sua fase assintomática longa e a presença de lesões pré-cancerosas tratáveis, o CCR é ideal para o programa de rastreamento.

O rastreamento do Câncer Colorretal tem como objetivo detectar não somente o câncer logo no início mas também prevenir que este ocorra através da detecção e remoção dos pólipos. Chamamos de Rastreamento a realização de um exame na população assintomática para detectar o câncer nas fases iniciais. Na população sintomática (com sangue nas fezes, dor abdominal, alteração de hábito intestinal, anemia crônica entre outros sintomas), a chance de câncer é bem maior sendo indicada a realização da colonoscopia como método diagnóstico. Caso apresente sintomas, consulte seu médico.

Fonte: ABRAPRECI - A ABRAPRECI é uma associação que promove e dissemina educação, eventos e campanhas com o intuito de esclarecer a população sobre os fatores de risco, prevenção, detecção e tratamento do câncer de intestino, apoiada por várias entidades médicas.


Saiba mais! Acesse:

Câncer Colorretal : prevenção é nossa meta!
Rastreamento de Câncer Intestinal em pessoas assintomáticas
COLONOSCOPIA - Exame importante e seguro

sábado, 5 de janeiro de 2013

COLOPROCTOLOGISTA: O que faz este especialista?


O que é coloproctologia?

A Coloproctologia é uma especialidade médica que estuda e trata as
doenças do intestino grosso (cólon), do reto e do ânus.
Etimologicamente temos: colo (intestino grosso), procto (reto, canal anal e ânus) e logia (ciência, estudo).
Anteriormente conhecida apenas como proctologia, a especialidade médica que nos poderia parecer recente, tem na realidade uma história documentada de mais de 5.000 anos, incluindo uma série de técnicas operatórias e vários instrumentos cirúrgicos.
Como observa-se, há uma série de distúrbios que frequentemente afetam estes órgãos, doenças benignas e malignas, que são tratadas por meio de terapia medicamentosa ou cirúrgica.
Em relação ao cólon e ao reto, são doenças comumente tratadas pelo coloproctologista: câncer de intestino grosso e reto (câncer colorretal), as doenças inflamatórias intestinais (retocolite ulcerativa, doença de Crohn, colites), infecções (parasitárias, bacterianas e virais), distúrbios funcionais (síndrome do intestino irritável), constipação intestinal, diarréias crônicas, entre outras.
O canal anal e o ânus são acometidos por doenças extremamente frequentes. As mais comuns são: hemorróidas, fissuras e abscessos anais, fístulas anorretais, incontinência anal, doenças venéreas ( HPV-condilomas e sífilis), prurido anal e doenças dermatológicas perianais. O câncer de canal anal felizmente, diferente do câncer colorretal, tem baixa incidência.
A formação do coloproctologista é cirúrgica, ou seja, somente após a sua formação em cirurgia geral, o médico está habilitado a continuar sua especialização na área de coloproctologia.
Fato que acontece amiúde e que eu acho relevante destacar, é a dúvida que muitas pessoas têm a cerca da área de atuação das especialidades de Coloproctologia e Urologia. É importante enfatizar que a Coloproctologia ou Proctologia NÃO CUIDA DOS PROBLEMAS DA PRÓSTATA. Embora haja alguma confusão quanto aos termos, cabe ao médico Urologista dedicar-se ao estudo dos problemas da próstata e seu tratamento.
Creio que a dúvida seja frequente pois as duas especialidades utilizam o exame de TOQUE RETAL para a investigação diagnóstica. Entretanto, o toque retal não é um exame aplicado exclusivamente para examinar a próstata. Este exame clínico também ajuda o Coloproctologista na avaliação das condições do reto e do ânus, bem como é um exame igualmente importante ao médico Urologista, sendo útil no diagnóstico do câncer de próstata entre outros problemas desta glândula.
Portanto, o toque retal é um importante exame para a avaliação tanto de problemas proctológicos quanto urológicos.   

QUANDO DEVO PROCURAR UM COLOPROCTOLOGISTA?

Os principais sintomas que sugerem doenças do cólon, reto e ânus,  são:
  • sangue nas fezes;
  • muco (catarro) nas fezes;
  • constipação intestinal (intestino preso);
  • diarréia crônica, por mais de 3 semanas;
  • urgência para evacuar;
  • dor ao evacuar;
  • incontinência fecal (perda involuntária de fezes);
  • dor abdominal recorrente;
  • distensão abdominal e gases em excesso;
  • nódulo ou verruga anal;
  • saída de secreção anal.


Se você apresenta algum desses sintomas ou possui uma história familiar de câncer colorretal, procure sempre um médico coloproctologista. 


 

Sintomas Noturnos do Refluxo Gastroesofágico


A Doença do Refluxo Gastroesofágico (DRGE) é uma afecção crônica decorrente do refluxo de parte do conteúdo gastroduodenal para o esôfago e/ou órgãos adjacentes a ele.
É uma doença com alta prevalência em todo o mundo e caracteriza-se, do ponto de vista clínico, pela presença de pirose (azia, queimação retroesternal) e regurgitação. Vale lembrar que pacientes com DRGE podem apresentar, além dos sintomas típicos, outros sintomas adicionais ou mesmo isolados associados ao refluxo, como dor torácica não cardíaca, disfagia (dificuldade de deglutição), rouquidão, pigarros faríngeos, tosse crônica, apnéia do sono, entre outros. Aproximadamente 78% dos pacientes com rouquidão e 80% dos pacientes com asma têm sintomas que podem estar associados à DRGE.



O Refluxo gastroesofágico noturno está associado às formas mais graves da DRGE, como as esofagites (inflamação da mucosa esofágica), estenose (estreitamento do esôfago devido à inflamação recorrente pelo ácido), esôfago de Barrett e adenocarcinoma esofágico.
A pirose durante o sono e distúrbios do sono são manifestações comuns da DRGE noturna e apresentam um importante impacto na qualidade de vida dos pacientes.

Estudo realizado por Kindt e cols. (2011) avaliou a prevalência da pirose e sua associação com distúrbios do sono, demonstrando que 84% dos 9.322 pacientes atendidos referiam distúrbios do sono devido ao refluxo ácido noturno. Eis os resultados:

  • 47% Refluxo ao acordar pela manhã
  • 45% Acordam durante a noite com sintomas
  • 39% Dificuldade para dormir
  • 35% Cansaço matinal
  • 30%, 35% e 12%  pirose noturna leve, moderada e intensa, respectivamente. 
Além da pirose, os pacientes podem referir refluxo de comida para a boca e, por vezes, engasgo noturno (despertam assustados à noite com repentino engasgo causado pela presença de conteúdo gástrico à boca).

Este quadro frequentemente vem acompanhado de uma sensação de sufocamento e falta de ar, fazendo os pacientes dormirem com vários travesseiros ou quase sentados na tentativa de aliviar o desconforto noturno.

Há uma complexa relação entre a DRGE e o sono: transtornos do sono podem induzir distúrbios gastrointestinais, enquanto que sintomas gastrointestinais também podem provocar ou piorar alterações do sono. 
Os mecanismos de clareamento esofágico (a deglutição, a salivação e os movimentos peristálticos do esôfago) pioram durante o sono, resultando em um prolongamento de tempo de contato do ácido com a mucosa esofágica. Desta forma, o refluxo noturno pode ocasionar distúrbios do sono e por outro lado, estes  distúrbios podem agravar a DRGE pelo contato prolongado do ácido e pelo aumento da percepção sensorial. Este fato pode facilitar a ocorrência de complicações da DRGE e diminuir a qualidade de vida dos indivíduos acometidos. 

Alguns fatores estão relacionados com maior risco de sintomas noturnos e distúrbios do sono em pacientes com DRGE:
  • TABAGISMO
  • ÁLCOOL
  • ESOFAGITE GRAVE
  • JOVENS
  • OBESIDADE
  • DRGE HÁ MAIS DE 5 ANOS
  • PIROSE E REGURGITAÇÃO DIÁRIA
O tratamento da DRGE visa controlar os sintomas, cicatrizar as lesões e prevenir recidivas/complicações. A grande maioria dos pacientes se beneficia com o tratamento clínico, que deve abranger medidas comportamentais e farmacológicas simultaneamente.

As medidas comportamentais previnem situações e alimentos que promovam ou facilitem o refluxo.
Pacientes com distúrbios do sono decorrente de pirose noturna se beneficiam com as seguintes medidas:
  1. Elevar a cabeceira da cama cerca de 10 a 15 cm
  2. Evitar refeições copiosas à noite
  3. Não se deitar após as refeições, aguardando um período mínimo de 2 horas

Importante: Nunca pratique a automedicação. Casos graves de DRGE são frequentemente mascarados pelo uso a longo prazo de medicações inadequadas, levando a complicações importantes como úlceras, estenose e até mesmo adenocarcinoma esofágico. Procure sempre um médico especialista. 



sábado, 24 de novembro de 2012

Ômega-3 : Panacéia sem efeitos colaterais?


Desconheço atualmente quem não saiba relatar pelo menos uma boa indicação do ômega-3. Afinal, alardeado por médicos, nutricionistas e apresentadores de televisão, esta "gota dourada de saúde" é o medicamento da moda dos últimos 3 anos. Assim como foi a "cartilagem de tubarão", o "óleo de linhaça", a "ração humana"....e porque não falar também do "elixir  paregórico" e da "coca-cola", esta lançada inicialmente em 1886 pelo farmacêutico John Pembertom.

A verdade é uma só: por trás dos supostos e reais benefícios destes produtos, há uma grande indústria que manipula o consumo desenfreado e indiscriminado de tais "medicamentos" pela população.
E a sociedade, na ânsia de saúde, da beleza e de retardar o envelhecimento ( afinal vivemos em uma era de culto aos jovens), rende-se ao apelo sobretudo midiático. "Omega-3: você ainda não tomou?! é ótimo!" diz uma apresentadora, "Combate o envelhecimento, reduz os triglicérides, tira suas dores e inflamações, diminui os ataques cardíacos e deixa você mais disposto! O que você está esperando? Tome agora!"...( Compre, compre, compre!!!)
Não faço aqui nenhuma apologia à "criminalização do uso do ômega -3"! Muito pelo contrário, creio em seus efeitos benéficos à saúde quando bem indicado e usado; entretanto, como quase todos os medicamentos, o seu uso é passível de efeitos colaterais...e muitos.

Bem, certamente você não verá isto alardeado na televisão. Distante dos consultórios médicos, será difícil alguém conseguir falar sobre os efeitos colaterais do ômega-3. " É um remédio natural, não é Dra.? Comprei  6 caixas na promoção da televisão, não faz mal nenhum."
Há meses comecei a ficar intrigada com a incidência crescente de dispepsia (má-digestão), crises de gastrite e diarréia entre os meus pacientes, sobretudo entre os idosos. E em uma anamnese dirigida a resposta era quase sempre a mesma: " Sim, dra. Comecei a tomar 3 cápsulas de ômega-3  por dia." O tratamento para tais problemas digestivos era sempre efetivo: suspender e/ou diminuir o uso do medicamento.

Desta forma, elenco aqui alguns dos efeitos colaterais comumente encontrados ao uso do ômega-3:


  • Intoxicação por metais pesados
  • Diarréia
  • Dispepsia (arrotos, náuseas, má-digestão, dor abdominal, gases aumentados e empachamento)
  • Gosto amargo na boca (peixe)
  • Reações alérgicas (prurido e erupções cutâneas)
  • Ganho de peso
  • Cefaléia
  • Sangramentos e tendência a sangramento ( principalmente em pacientes que usam  medicamentos anticoagulantes/antiagregantes plaquetários)
  • Elevações dos níveis de LDL Colesterol
  • Sobrecarga metabólica e aumento das enzimas hepáticas
  • Interações com outros medicamentos em uso

À tempo, pesquisa publicada pelo Instituto Nacional do Câncer Americano - Washington, em julho de 2013, demonstra que  os homens que consomem suplementos de ômega-3 têm maior probabilidade de desenvolver câncer de próstata. O estudo destaca ainda que este risco é da ordem de 71%.
"Demonstramos, mais uma vez, que o uso de suplementos nutricionais pode ser prejudicial", disse Alan Kristal, pesquisador do Centro Fred Hutchinson de Pesquisa do Câncer e principal autor do artigo.

Você já tinha ouvido falar sobre isto?

Bem, busco com este artigo alertar a população para o risco da automedicação. Nada com a alcunha de "natural" é desprovido de efeitos colaterais. Até mesmo a Água em quantidade excessiva pode levar o indivíduo à morte por intoxicação hídrica.
Não use medicamentos, suplemento alimentares e vitaminas sem a adequada orientação de seu médico.
E lembre-se: mais do que em "pílulas mágicas", a saúde está na prática de uma alimentação saudável, atividade física, na prevenção de doenças (visitas regulares ao médico) e no equilíbrio da mente.  

Abraços a todos!


Não se automedique, cada organismo é único. O que faz bem para uma pessoa talvez possa lhe causar problemas de saúde.

De acordo com dados da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), 18% das mortes por envenenamento se devem à automedicação.  
O Brasil está entre os 5 maiores consumidores de medicamentos do mundo e a facilidade em adquirir remédios sem prescrição médica e o baixo controle das propagandas de produtos farmacêuticos ajudam a explicar a presença do País neste ranking.





sexta-feira, 7 de setembro de 2012

Síndrome do esgotamento profissional: "Burnout"





“Burnout" ou a expressão "queimar até a exaustão”, vem do inglês burn = queima e out = exterior. Foi assim denominada pelo psicanalista Herbert Freudenberger,
em 1974, quando escreveu um artigo sobre a doença. Freudenberger a
diagnosticou em si mesmo.
Trocando em miúdos, podemos dizer que essa é a SÍNDROME DO 
ESGOTAMENTO PROFISSIONAL: um estado de tensão emocional e estresse crônico provocado por condições de trabalho físicas, emocionais e psicológicas desgastantes por algum período de tempo. Não apenas circunstancial.


É um fato que algumas profissões estão mais sujeitas do que outras a ter
profissionais apresentando sintomas de Burnout. São profissões caracterizadas
por uma maior dedicação emocional e abnegação, como professores, médicos, enfermeiros, bombeiros, seguranças. Enfim, pessoas que trabalham muitas vezes
em seu limite de conforto e bem-estar, que acabam abrindo mão de descanso, 
lazer e contato social para garantir seu bom desempenho.



Então, após ser identificada, rapidamente a nova síndrome - denominada no
artigo como “Staff Burnout" conquistou a curiosidade dos médicos e 
pesquisadores dos Estados Unidos, que passaram a analisá-la e pesquisá-la. Posteriormente, por todo o mundo, a doença foi estudada e diagnosticada.
Mas, aonde quer que o  sofrimento dos trabalhadores não era identificado 
e tratado como tal,  o problema persistia.



Este transtorno mental é registrado Classificação Estatística Internacional
de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde (CID-10), no grupo V.


Os sintomas surgem no indivíduo sofre pressões no trabalho devido às metas, cobranças, assédio moral (ameaça de demissão; discriminação dos 
colegas etc).É possível identificar na história do paciente (investigação médica),
que os agentes estressores estão relacionados ao tragalho.  Estes são muitos 
e vão desde o atendimento ao púbico até risco de violência. Algumas vezes,
estão relacionados com a falta de vocação para a atividade exercida. Mas,
em geral não. O transtorno pode surgir mesmo quando a pessoa escolheu, tinha vocação para a atividade.


Os sintomas surgem como um conjunto de ansiedade e depressão. Além de
sintomas físicos. Todos eles relacionados à profissão, ao trabalho:

  •  crises de pânico;
  •  desânimo,
  •  momentos de choro;
  •  tonteiras,
  •  dores de cabeça;
  •  depressão;
  •  ansiedade generalizada;
  •  dificuldade de concentração;
  •  fadiga extrema;
  •  sofrimento e ansiedade antes de ir ao trabalho;
  •  sensação de esgotamento físico e emocional;
  •  agressividade sem motivo aparente;
  •  tendência ao isolamento;
  •  mudanças bruscas de humor;
  •  lapsos de memória;
  •  baixa estima;
  •  sudorese;
  •  pressão alta;
  •  palpitações,
  •  insônia,
  •  crises de asma;
  •  enxaqueca;
  •  diarréias;
  •  gastrites, entre muitos outros.



Pela descrição dos sintomas que são inúmeros, o transtorno não é facilmente diagnosticado e pode ser tratado como uma ansiedade, depressão ou
quaisquer das patologias citadas.



O interessante é notar que todos os sintomas são uma forma do trabalhador
ausentar-se da sua atividade laborativa, sendo fundamental ressaltar que os
sintomas não são "simulados”, São sintomas genuínos.


COMPORTAMENTO GERA MAIS PERDAS

O comportamento dos portadores da Síndrome de Burnout  de baixa auto-estima 
e perda da auto-confiança pode inclusive gerar consequências mais graves e 
mais perdas - que podem levá-lo ao uso de drogas, álcool, aumento do uso de 
cigarros. Os pacientes são mais vulneráveis a sofrer acidentes devido aos 
sintomas, gerando perdas.


Em geral, o indivíduo apresenta os seguintes quadros:



Exaustão Emocional - o trabalhador percebe perfeitamente essa condição, suas energias se esgotam e ele não consegue mais forças e não sabe de onde
tirá-las;



Não Envolvimento no Trabalho - a diminuição do prazer no trabalho afeta a 
eficiência e a capacidade de realizar certas tarefas;


Autoimagem Negativa - o indivíduo desenvolve imagens negativas e autodestrutivas
de si mesmo e tenta compensar junto às pessoas com perda de sensibilidade 
afetiva.


DIAGNÓSTICO

Para realizar o diagnóstico da Síndrome de Burnout é preciso avaliar o histórico do indivíduo, levando em consideração a sua relação com o trabalho que exerce.


Também pode ser de grande auxílio o exame psicométrico - para avaliar o funcionamento psíquico e o comportamento individual do paciente. Ainda podem ser utilizadas respostas psicométricas em questionários baseados na Escala Likert 
(que é um tipo de escala de resposta psicométrica usada em questionários).

No entanto, a confirmação do diagnóstico é feita pelo médico psiquiatra.






HÁ CULPA?

As empresas que não incentivam seus funcionários a investirem na qualidade do ambiente de trabalho registram um número maior de licenças médicas causadas por sintomas físicos e psiquiátricos.


É necessária uma política de estímulo ao funcionário que pode ser realizada através 
de um pedagogo empresarial Inclusive assessorando a se adaptar à função que ele realmente se sinta "integrado" à empresa. Deve-se levar em consideração fatores como a competência na atuação (colocar em prática as habilidades do funcionário); competência técnica (incentivando o trabalhador a realizar projetos individuais); competência para a autoaprendizagem (estímulo à busca de autoconhecimento para
 a melhoria da performance, como cursos, workshops e afins); e competência social (fomentar os trabalhos em equipe).



Assim, lucra o empregador com a frequência do funcionário e lucra o funcionário, com
 a satisfação no ambiente de trabalho.


TRATAMENTO

Diante da suspeita de Síndrome de Burn-out, não se desespere. Procure um psiquiatra. Confirme o diagnóstico. Siga regularmente o tratamento. Geralmente, se associa medicamentos e psicoterapia. Cada caso deve ser avaliado individualmente. 


Além disso, o esgotamento para o trabalho pode ser temporário e na maioria dos casos restringe a um tipo de atividade apenas. Assim, pode orquestrar uma relocação ou uma nova capacitação profissional, ao invés de entender o paciente como plenamente incapaz.









sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Tratamento Clínico e Cirúrgico da Retocolite Ulcerativa



A Retocolite ulcerativa (RCU) é uma doença inflamatória intestinal crônica que acomete a mucosa colorretal com intensidade e extensão variadas.
Os sintomas mais frequentes são a diarréia crônica mucossanguinolenta, associada a dor abdominal e tenesmo. Anorexia , naúseas, vômitos, febre, astenia, desidratação, anemia e emagrecimento são manifestações gerais consequentes. Não raro, encontramos concomitantemente manifestações a distância (extra-intestinais) próprias do quadro, como artrite, aftas, glomerulonefrite, eritema nodoso, acometimento ocular (irite), pancreatite, esteatose e cirrose hepática.

A RCU acomete principalmente adolescentes e adultos jovens, afetando de forma variável a qualidade de vida dos pacientes e familiares. A doença está associada a um elevado custo social, pois tem um impacto direto relacionado com a falta na escola e no trabalho, a internações hospitalares e cirurgias.
No início, com apresentação clínica variável, a RCU pode evoluir para uma afecção quiescente ou até mesmo para uma doença crônica refratária de abordagem cirúrgica ou para complicações como o câncer colorretal. Há trabalhos que apontam uma taxa de até 20% de colectomias em 10 anos naqueles pacientes em uso da terapia convencional ( Langholz et al, 1994).

As publicações da última década afirmam que o tratamento da RCU deve ir além da remissão clínica (ausência dos sintomas) para se atingir um controle sustentado da inflamação através da cicatrização da mucosa. Com esta recente mudança no foco terapêutico, é nítida uma mudança na história natural da doença, observando-se uma diminuição do número de internações e do número de pacientes submetidos à cirurgia.
A avaliação do quadro clínico bem como da extensão e da gravidade da inflamação intestinal permitem a classificação dos pacientes em portadores de doença leve, moderada e grave. Esta classificação é importante pois norteará o planejamento da dose e da via de administração de medicamentos, necessidade de internação e cirurgias.

Os fármacos que fazem parte da terapia convencional são os aminossalicilatos, os corticóides, os imunossupressores e os antimicrobianos. Tal terapia está indicada para casos de RCU leves a moderados.
A terapia biológica constitui uma nova classe de medicamentos, que tem ação em vários pontos da cascata inflamatória e promove efetiva cicatrização da mucosa intestinal.
A terapia biológica é indicada na RCU moderada a grave e em pacientes intolerantes ou refratários à terapia convencional. Os medicamentos biológicos atualmente disponíveis para o tratamentos das doenças inflamatórias intestinais são os anti-TNFs. O Infliximabe, aprovado pela ANVISA em 2006, é o único anti-TNF liberado no Brasil para Retocolite Ulcerativa até o momento.
Atualmente há uma evidente correlação entre a obtenção da cicatrização da mucosa e a redução da recidiva clínica, necessidade do uso de corticóides, internações e cirurgias. Neste sentido, o Infliximabe mostra-se eficaz na indução da remissão da doença e na obtenção da cicatrização da mucosa em pacientes refratários à terapia convencional, sobretudo naqueles pacientes com fatores de gravidade tais como pancolite (acometimento de todo intestino grosso) e manifestações extraintestinais.