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sexta-feira, 12 de novembro de 2010

São Paulo registra recorde no número de doação de órgãos

É com grande alegria que recebemos a notícia de que o Estado de São Paulo superou o número de doações de órgãos no ano passado e estabeleceu novo recorde em 2010, segundo dados da Central de Transplantes, ligada à Secretaria estadual de Saúde. Foram 760 doações entre janeiro e 10 de novembro, contra 705 em todo o ano de 2009. Na comparação até 10 de novembro daquele ano, a alta observada em 2010 é de 25%.

Em 2010, o número de transplantes realizados nos hospitais paulistas também cresceu. Foram feitos 2.018 transplantes, dos quais 69 de coração, 89 de pâncreas, 1.238 de rim, 569 de fígado e 53 de pulmão, segundo a secretaria. No mesmo período de 2009, houve 1.708 transplantes no Estado, dos quais 82 de coração, 108 de pâncreas, 993 de rim, 499 de fígado e 26 de pulmão.

Este fato é realmente animador, pois evidencia um nítido incremento na disposição de doação de órgãos e tecidos por parte população e o sucesso do trabalho realizado nos hospitais para identificar e rapidamente notificar potenciais doadores.

Parabéns a todos! Está é uma vitória da vida!

DOE ÓRGÃOS , DOE VIDA. 





INFORME SEUS FAMILIARES SOBRE SUA DECISÃO.

Maiores informações de como proceder, acesse o link:

 http://saudedigestiva.blogspot.com/2010/06/doacao-de-orgaos-e-tecidos-como.html

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

COLONOSCOPIA - Exame importante e seguro

Na prática clínica diária, percebo que alguns pacientes mostram-se bastante apreensivos e ansiosos mediante a solicitação de um exame colonoscópico. O temor passa pelos mitos de a colonoscopia ser um exame desconfortável, constrangedor e perigoso, o que de forma alguma configura uma verdade.
O conhecimento de como o exame é realizado desmistifica estas premissas e revela uma ferramenta importante na detecção e controle das doenças do cólon.
A colonoscopia foi introduzida na medicina na década de 70. Nesta época era considerado um exame difícil; entretanto, hoje é um procedimento extremamente comum, seguro e de fácil realização.
De fato,a  colonoscopia reformulou a abordagem diagnóstica das doenças colorretais e permitiu a realização de procedimentos também terapêuticos, rastreando, detectando e prevenindo muitas doenças, como o câncer colorretal.

Indicações de colonoscopia:

DIAGNÓSTICA

  • Pesquisa de Sangue oculto nas fezes POSITIVA
  • Alterações do hábito intestinal ( constipação ou diarréia )
  • Rastreamento de Câncer colorretal
  • Acompanhamento de pacientes submetidos à polipectomia ( remoção de pólipos intestinais)
  • Doenças inflamatórias intestinais
  • Colites
  • Dor abdominal
  • Hemorragia digestiva baixa,
  • entre outras.

TERAPÊUTICA

  • Polipectomia
  • Hemostasia de lesões sangrantes
  • Remoção de corpos estranhos
  • Dilatação de estenoses ( estreitamentos)
  • Descompressão cólica no volvo ( torção intestinal),
  • entre outras.


Como é realizado o exame de COLONOSCOPIA?

A colonoscopia consiste na introdução de um aparelho flexível de fibra óptica ( FIBROCOLONOSCÓPIO ) através do ânus, a fim de visualizar diretamente todos os segmentos do intestino grosso e a parte final do intestino delgado. Tais imagens são transmitidas para um aparelho de vídeo e também podem ser documentadas através de impressão fotográfica.
Além de detectar possíveis alterações na mucosa intestinal, o método também permite a realização de biópsias de lesões ou áreas alteradas, cauterizações e a remoção de algumas lesões polipóides identificadas durante o exame.  São introduzidas  pinças especificas em canais do aparelho colonoscópico que possibilitam tais procedimentos.

Onde é realizado o exame ?

A COLONOSCOPIA poderá ser realizada em regime ambulatorial (clínicas e laboratórios médicos) ou em ambiente hospitalar, dependendo da idade e da condição clínica do paciente. O paciente sempre deverá ir acompanhado.

Qual é o preparo necessário?

Para a realização de uma colonoscopia adequada, mais rápida, acurada e segura, é imprescindível que o cólon esteja limpo, sem presença de resíduos fecais que possam dificultar o procedimento e impedir a visão adequada da mucosa do cólon, podendo passar desapercebida uma pequena lesão.
O preparo do cólon pode variar dependendo de cada serviço e da preferência de cada médico examinador.
Ao agendar o exame, serão fornecidas com antecedência todas as informações relacionadas ao preparo do cólon para a realização da Colonoscopia, incluindo as restrições alimentares a serem seguidas e como limpar o intestino adequadamente para o exame. Em geral a preparação consiste em usar uma solução laxativa oral na véspera do exame .
Cólon limpo e um preparo adequado são indispensáveis para a realização da colonoscopia com segurança e
alta eficácia. Desta maneira, tenha certeza em seguir todas as instruções médicas cuidadosamente.
Pacientes idosos, cardíacos, hepatopatas ou renais crônicos devem ter um acompanhamento mais rigoroso durante o preparo intestinal para previnir desidratações e quedas da pressão arterial.
 

Posso tomar minhas medicações usuais?

A maioria das medicações podem ser continuadas, mas algumas podem interferir com o preparo ou com o exame. Informe o seu médico sobre as medicações que esteja tomando, particularmente aspirina e derivados, medicações para artrite, anticoagulantes, insulina ou medicações que contenham ferro. Também é importante mencionar se apresenta algum tipo de alergia medicamentosa.
Deverá ser preenchido um questionário com seu histórico médico anterior como por exemplo cirurgias anteriores, história de traumas ou internações prévia.

O que acontece durante a Colonoscopia ?

A Colonoscopia é um procedimento seguro, simples e indolor, realizado com o auxílio de uma sedação e com duração média de 15 a 30 minutos.
O médico inicia o exame introduzindo vagarosamente o “colonoscópio” através do intestino grosso para examinar a mucosa intestinal, na maioria das vezes até atingir o ceco e se possível uma parte do intestino delgado. O médico irá examinar novamente todo o trajeto do cólon ao ser retirado o aparelho.

Em alguns casos, o médico examinador poderá ter dificuldade em conseguir passar o colonoscópio através de toda extensão do cólon. Alguns fatores podem ser responsáveis por esta situação: presença de resíduo fecal mesmo com a realização de um preparo orientado prévio; presença de estreitamentos causados por inflamações, pólipos, divertículos, variações anatômicas, aderências por cirurgias prévias ou tumores. Nestes casos o médico decidirá qual o limite de segurança para interromper o exame.
Quando o médico achar que uma área necessita de uma análise mais profunda, passará uma pinça através do colonoscópio para obter uma biópsia que será analisada no laboratório. Biópsias são comumente usadas para identificar muitas condições, como processos inflamatórios, pólipos, infecções ou até mesmo detecção de câncer. Se a colonoscopia está sendo utilizada para identificar o local de um sangramento, o médico poderá controlar o sangramento através do colonoscópio injetando medicamentos ou utilizando várias técnicas modernas disponíveis, como por exemplo o gás de argônio.
Durante a colonoscopia, pólipos podem ser identificados e rapidamente removidos.  Estes procedimentos usualmente não causam dor.


O que são pólipos e porque devem ser  removidos?

Pólipos são crescimentos anormais da mucosa intestinal ( semelhantes a "verrugas" ) e variam de tamanho, desde pequenas lesões até alguns centímetros de diâmetro. Para se diferenciar pólipos benignos ou pré malignos, o médico realiza a remoção destas lesões ( polipectomia ) e as envia para exame anátomo-patológico. Como sabemos que o câncer de cólon se origina de um pólipo, removê-lo é muito importante e constitui uma eficiente prevenção ao aparecimento do câncer de colorretal.

CUIDADOS APÓS A COLONOSCOPIA

  • Deixar o hospital ou clínica sempre acompanhado;
  • Devido ao uso de sedativo durante a realização do exame, o paciente NÃO PODE dirigir automóvel ou outros veículos durante TODO O DIA após a realização do mesmo. Até mesmo se estiver bem após o exame, seu julgamento e reflexos podem estar afetados pelo resto do dia.
  • Durante um período de aproximadamente 8 horas NÃO pode realizar tarefas que necessitem de atenção, tais como operar máquina e objetos cortantes;
  • A medicação usada durante a sedação poderá ocasionar um período curto de amnésia;
  • Permanecer em repouso durante o restante do dia;
  • Ingerir alimentação leve;
  • Ingerir bastante líquido ( água , suco, chá, água de côco );
  • Poderá ocorrer diarréia por um período de cerca de 12 horas após o exame , em alguns pacientes;
  • Poderá ocorrer algum desconforto e distensão abdominal devido ao ar que é insuflado durante o exame para melhor visualização do cólon.
    Tal sintoma  desaparecerá à medida que os gases forem sendo naturalmente eliminados ou mediante à utilização de antifiséticos, como a dimeticona.
  • Quando são realizadas biópisias ou polipectomias durante o exame, poderá ocorrer sangramento nas fezes nas próximas evacuações.
     
Quais são as possíveis complicações da Colonoscopia ?

Colonoscopia e polipectomia são geralmente seguras quando realizadas por médicos que são especialmente treinados e experientes neste procedimento.
Uma rara complicação é a perfuração, ou laceração através da parede intestinal que pode ocorrer em presença de algumas alterações patológicas como por exemplo: divertículos, estenoses, aderências ou tumores e podem requerer uma cirurgia de urgência.
Sangramento pode ocorrer no local da biópsia ou da polipectomia, mas é usualmente pequeno. O sangramento pode parar sozinho ou ser controlado através do colonoscópio; raramente irá requerer um tratamento de acompanhamento. Alguns pacientes podem ter reação à sedação ou complicações decorrentes de patologias cardíacas ou pulmonares prévias.

Embora complicações após a colonoscopia não sejam comuns, é importante perceber cedo seus sinais. Contacte seu médico se notar dor forte abdominal, que não cede com analgésicos comuns, febre, calafrios, ou sangramento retal importante. Observe que o sangramento pode ocorrer muitos dias após a polipectomia.

Colonoscopia - o que há de novo?
 
Nos últimos anos, vêm sendo introduzidos  no mercado colonoscópios de magnificação, que permitem aumentar  de 40 a 100 vezes as imagens da mucosa intestinal. Tal técnica, quando associada à cromatoscopia ( uso de corantes) permite aferir informações importantes e detalhadas sobre as características das lesões intestinais (ex: pólipos).
Ainda no campo da inovação tecnológica, surgiu a colonoscopia virtual, que consiste na reconstrução computadorizada do cólon por meio da tomografia helicoidal. É um método ainda não disponível em muitos centros, e possui a desvantagem de não permitir a realização de biópsias ou  remoção de lesões.




Colonoscopia Virtual








Seus pais, seus avós e seus tios sempre cuidaram da sua saúde.
Agora você vai lembrá-los o quanto é importante cuidar da deles, também.
Compartilhe um dos nossos conselhos com a sua família e faça parte do Movimento
#vaipormim

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Seminário Gratuito sobre Mieloma Múltiplo

Apoiando ações positivas na área da saúde, abro espaço no blog à divulgação de iniciativas educacionais, diagnósticas e preventivas das demais especialidades médicas.




A International Myeloma Foundation (IMF), maior e mais antiga fundação dedicada ao mieloma, irá promover um circuito de palestras voltadas para pacientes. O Seminário para Pacientes & Familiares,  será realizado no próximo dia 14 de agosto, no Hotel Blue Tree Towers Morumbi – em frente ao Shopping Morumbi - a partir das 9h.
O evento contará com as apresentações de um grupo de especialistas que irão informar exclusivamente aos pacientes e familiares os últimos avanços no tratamento do mieloma – um câncer de medula, sem cura e que, apesar de pouco comentado, tem incidência quatro vezes maior do que a leucemia.

Segundo a fundadora da IMF Latin América, Christine Battistini, os encontros promovidos são educacionais, destinados a fornecer aos pacientes e seus cuidadores informações sobre diagnóstico e tratamento. “Durante o período de diagnóstico é difícil encontrar informação consistente e atualizada. As orientações são desencontradas e escassas na comunidade brasileira. A ideia é que pacientes bem informados possam ajudar na tomada de decisão junto ao seu médico”, explica.

Christine trouxe a IMF para a América Latina depois de ter cuidado de sua mãe, vítima de mieloma múltiplo, com a finalidade de ajudar milhares de pessoas que têm o mesmo problema.

O seminário é gratuito.
As inscrições já podem ser feitas pelo site: http://www.myeloma.org.br/ ou pelo telefone (11) 3726 5037



Mieloma Múltiplo

Mieloma Múltiplo é um câncer que se desenvolve na medula óssea, devido ao crescimento descontrolado de células plasmáticas. Embora seja mais comum em pacientes idosos, há cada vez mais jovens desenvolvendo a doença.
As células plasmáticas fazem parte do sistema imunológico do corpo. Elas são produzidas na medula óssea, sendo liberadas para a corrente sangüínea. Normalmente, as células plasmáticas constituem uma porção muito pequena (menos de 5%) das células da medula óssea. Os portadores de mieloma têm uma produção aumentada de células plasmáticas e, portanto, um número aumentado dessas células na medula óssea que pode variar de 10% a 90%.

No Brasil, um estudo publicado em 2008 mostrou que cerca de 76% dos pacientes são diagnosticados já com a doença avançada. O diagnóstico precoce é fator importante no prognóstico do doente, de modo que o reconhecimento dos sinais e sintomas é fundamental. As manifestações clínicas são secundárias aos plasmócitos anômalos, ocorrendo principalmente:
  • Dor óssea em 70-90% dos casos pela destruição do osso. Está associada a lesões líticas nos ossos, osteoporose e fraturas patológicas. A destruição do osso leva a aumento de cálcio no sangue em 25% dos casos.
  • Anemia em 60% dos casos pela doença na medula óssea que atrapalha a produção dos glóbulos vermelhos.
  • Aumento da viscosidade do sangue em menos de 10% dos casos pelo excesso de proteína M produzida pelos plasmócitos, levando a fadiga, confusão e sangramentos.
  • Em 20% dos casos tem-se insuficiência renal causada pelo excesso de proteína M nos rins, aumento de cálcio ou mesmo drogas que lesam os rins.
  • Defesa contra infecções reduzida porque a quantidade de imunoglobulinas normais diminui, chegando a 15-50% de casos de infecções.
  • Plasmocitomas: tumores intramedulares (dentro da medula óssea) ou extramedulares (partes moles).

Os exames de laboratório que auxiliam o diagnóstico são hemograma, VHS, cálcio, albumina, ácido úrico, creatinina, eletroforese de proteínas no sangue e na urina, raio X dos ossos, mielograma e biópsia de medula óssea, imunofixação sérica e urinária, beta2-microglobulina, cariótipo.

Ao associar história clínica, exame físico e exames laboratoriais, o médico hematologista é capaz de diagnosticar o MM e indicar o melhor tratamento. O tratamento está indicado quando o paciente apresenta anemia significativa, lesões ósseas líticas, aumento de cálcio, insuficiência renal ou plasmocitomas extramedulares.

Apenas nos anos 60 é que se pôde utilizar drogas com eficácia no tratamento do MM. O transplante autólogo de medula óssea (TAMO) prolongou a sobrevida desses pacientes, porém geralmente aqueles com mais de 65 anos não são candidatos ao TAMO. Com a evolução da medicina, novas drogas foram descobertas e incorporadas ao tratamento, melhorando as taxas de resposta e a sobrevida global.
 
Sites de interesse:
ABRALE-Associação Brasileira de Linfoma e Leucemia. http://www.abrale.org.br/
IMF-International Myeloma Foundation Latin America. http://www.mielomabrasil.org/




HOSPITAL PROMOVE DIAGNÓSTICO GRATUITO E ORIENTAÇÃO DE TRATAMENTO PARA PORTADORES DE LOMBALGIA

Apoiando ações positivas na área da saúde, abro espaço no blog à divulgação de iniciativas educacionais, diagnósticas e preventivas das demais especialidades médicas.



Dia 14 de agosto (sábado), o Centro de Dor do Hospital 9 de Julho promoverá atendimento gratuito aos portadores de lombalgia, através da campanha Viva Sem Dor 2010. A ação tem como objetivo orientar os pacientes quanto ao diagnóstico e tratamento desta doença, que é um dos problemas mais recorrentes da medicina, chegando a acometer 90% da população em alguma fase da vida. As consultas serão realizadas das 8 hs às 12hs e das 14 hs às 17 horas, sendo necessário agendamento prévio por telefone.

Especialistas em neurocirurgia, ortopedia, reumatologia, fisioterapia e psicologia, dentre outros, após breve explanação sobre a doença, atenderão os participantes, verificarão seus exames – caso possuam –, para proceder diagnóstico e orientação de tratamento, seja no próprio Hospital ou serviço público, que será indicado pelos profissionais durante a ação.

Sucintamente, podemos definir lombalgia como a dor no seguimento lombar da coluna. Corresponde a 3ª causa mais comum de afastamento do trabalho, a 5ª de internação hospitalar e a 3ª de procedimentos cirúrgicos.
Conhecida popularmente como dor nas costas, a lombalgia é uma das grandes causas de morbidade e incapacidade funcional, tendo incidência apenas menor que a cefaléia entre os distúrbios dolorosos que mais acometem o homem.
O sintoma mais comum da lombalgia é a dor lombar, que corresponde à região mais inferior da coluna vertebral, pouco acima das nádegas, na altura da cintura. Apresenta-se geralmente de começo discreto, com intensidade aumentando progressivamente e agravando com a mobilidade da região. Acompanha, comumente, algum grau de contratura muscular.
A crise dolorosa geralmente apresenta-se em um ciclo de dor que dura alguns dias, podendo em alguns casos tornar-se constante ou desaparecer, retornando depois de algum tempo.
Inúmeras circunstâncias (fatores de risco) contribuem para o desencadeamento e cronificação das síndromes lombares, tais como: fatores genéticos e antropológicos, psicossociais, obesidade, fumo, atividades profissionais, sedentarismo, maus hábitos posturais, síndromes depressivas, trauma, gravidez, trabalho repetitivo, entre outras.

O exame clínico é suficiente para o diagnóstico.

O diagnóstico pode ser feito clinicamente, levando em conta as características dos sintomas e o resultado do exame neurológico. Exames como raio-x, tomografia e ressonância magnética ajudam a determinar o tamanho da lesão e a exata região da coluna afetada.


Centro de Dor - Hospital 9 de Julho
Endereço: Rua Peixoto Gomide, 613, 8º andar, ala D - Cerqueira Cézar - São Paulo - SP - 01409-902 - Telefone: (11) 3147-9890 - Ramal interno: 9890 - E-mail: contato@centrodedor.com.br

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Doença do Refluxo Gastroesofágico - uma afecção crônica

Doença do Refluxo Gastroesofágico (DRGE) é uma doença crônica de grande prevalência na população em geral e um dos motivos mais frequentes de consulta ao gastroenterologista.
Caracteriza-se pelo retorno ( fluxo retrógrado ) anormal de parte do conteúdo gastroduodenal para o esôfago e/ou órgãos adjacentes a ele, acarretando um espectro variáveis de sintomas, possíveis lesões teciduais e complicações.
O sintoma mais comum da DRGE  é a pirose (azia), que incide em 10 a 20% da população. A pirose é uma queimação na região gástrica ou torácica, podendo ser tão intensa a ponto de dar uma sensação de forte dor no peito, que algumas vezes mimetiza a dor cardíaca.

Qual a causa da DRGE?
A etiologia da doença do refluxo gastroesofágico é multifatorial. A causa mais frequente é a incompetência do esfínter inferior do esôfago.
O alimento triturado pelo ato mastigatório começa a percorrer o esôfago - órgão muscular e tubular que conduz o alimento da boca até o estômago. No final do esôfago existe um esfíncter (válvula) que se abre para dar passagem  ao estômago e posteriormente se fecha, impedindo que o suco gástrico e o bolo alimentar voltem ao esôfago. Quando esta válvula não funciona bem, ou seja, não é continente, temos o refluxo do conteúdo do estômago para o esôfago.

O que é Hérnia de Hiato?
Para chegar até o estômago, o esôfago passa pelo hiato -um oríficio do músculo diafragma que separa o tórax do abdomem. Se houver um alargamento deste oríficio, a parte superior do estômago pode deslizar em direção ao tórax, formando a chamada hérnia de hiato.
Esta condição é frequentemente encontrada em pacientes com DRGE, predispondo e intensificando o refluxo, embora possa ser encontrada em indivíduos assintomáticos.

Quais são os sintomas de DRGE?

MANIFESTAÇÕES ESOFÁGICAS:
  • Pirose
  • Dor torácica ( pode simular uma angina )
  • Engasgos noturnos
  • Disfagia ( dificuldade de deglutição )
MANIFESTAÇÕES EXTRA-ESOFÁGICAS:
  • Tosse
  • Pigarros faríngeos
  • Rouquidão
  • Aftas orais
  • Asma/bronquite crônica
  • Sinusite
  • Otites
  • Pneumonias
  • Erosão dentária
  • Apnéia do sono
  • Faringite
A DRGE é uma doença crônica, sujeita a recidiva e remissões, podendo se apresentar em qualquer faixa etária, em ambos os sexos.

Quais são as complicações da DRGE?
As complicações da DRGE são todas decorrentes da progressão da esofagite crônica, que se instala por causa da agressão contínua do ácido clorídrico à mucosa esofágica. Esta agressão contínua da mucosa pode originar erosões, úlceras e até a estenose ( estreitamento ) do esôfago. Nestas situações, pode ocorrer hemorragias, anemia e dificuldade de deglutição.
Outra complicação importante e tardia é o Esôfago de Barrett, que ocorre em 10 a 15% dos casos de DRGE e tem sido objeto de muita discussão no meio médico, em razão de sua predisposição ao adenocarcinoma de esôfago. O Barrett caracteriza-se por uma metaplasia, ou seja, na transformação da mucosa do final do esôfago em mucosa do tipo gástrica, numa tentativa do organismo de proteger a parede do esôfago do refluxo ácido.

Como é feito o diagnóstico de DRGE?
O diagnóstico de DRGE é firmado através da história clinica, exame do paciente e através de exames complementares.
O método que inicia a investigação diagnóstica é a ENDOSCOPIA DIGESTIVA ALTA com biópsias, que visualiza toda a mucosa esofágica, gástrica e duodenal. Dos outros exames habitualmente utilizados, alguns pesquisam o refluxo e sua intensidade (estudo radiológico contrastado, cintilografia, pHmetria), suas complicações ou alterações esofágicas motoras que podem ocorrer ( manometria ).

Por que a DRGE deve ser tratada?
Os principais objetivos da DRGE são: a resolução dos sintomas, a cicatrização de possíveis lesões e a prevenção de complicações.
O tratamento visa melhorar a função motora do esôfago, aumentando a salivação, acelerando o esvaziamento gástrico e reduzindo o potencial lesivo do suco gástrico.
É uma terapia abrangente, pois envolve o cuidado dietético, alterações comportamentais e o uso de medicamentos que diminuem a secreção gástrica e melhoram a motilidade digestiva.
O tratamento clinico apresenta excelentes resultados, conquanto pode exigir longos períodos de uso de medicamentos específicos associados a uma dieta adequada.
O tratamento cirúrgico ( Funduplicadura com herniorrafia hiatal ) é reservado para refratariedade ou intolerância ao tratamento clínico, bem como para as grandes hérnias hiatais associadas ao RGE e nas complicações da doença.

O que o paciente deve fazer para contribuir para a sua melhora?
  • Não fumar
  • Evitar bebidas alcooólicas
  • Manter um peso corporal adequado; emagrecer se necessário
  • Evitar roupas apertadas na região abdominal
  • Evitar alimentos que prejudicam a digestão e facilitam o refluxo: café, chocolate, alimentos condimentados, gorduras, frituras, mentolados, bebidas gaseificadas, sucos e frutos ácidos, entre outros
  • Fracionar as refeições: comer quantidades menores várias vezes aos dias
  • Não ingerir líquidos às refeições
  • Não deitar-se após as refeições, respeitando um intervalo mínimo de 2 horas.
  • Comer devagar, mastigando bem os alimentos. 
O que eu posso fazer para ajudar o meu médico a diagnosticar e tratar a DRGE?

Durante a consulta descreva como você sente a azia ou o refluxo:
-Quantas vezes ocorrem estes sintomas?
-Quanto tempo duram os sintomas?
-Eles chegam a despertar você à noite?
-Os sintomas aparecem só após as refeições?
-Quais alimentos desencadeiam estes sintomas?

Quando não tratada corretamente, a DRGE pode trazer graves prejuízos à saúde.

domingo, 20 de junho de 2010

Doação de órgãos e tecidos - Como proceder?

O estado de São Paulo registrou um crescimento de cerca de 30% no número de doadores de órgãos e de transplantes realizados nos primeiros cinco meses de 2010. Entre janeiro e maio deste ano, foram feitos 1.044 transplantes. No mesmo período de 2009, esse número chegava a 793.

Os números integram um levantamento realizado pela Secretaria Estadual de Saúde com base nos dados da Central de Transplantes revela que a quantidade de doadores cresceu 34,5%, saltando de 284 nos primeiros meses de 2009 para 382 este ano.

A secretaria atribui os resultados positivos ao aprimoramento do trabalho de captação de órgãos nos hospitais e à implantação de um novo projeto que criou coordenadores intra-hospitalares de doação e transplante em 31 estabelecimentos paulistas. São estes profissionais os responsáveis por identificar potenciais doadores e acompanhar todos os exames necessários à operação.

Como posso me tornar um doador de órgãos?

O passo principal para você se tornar um doador é conversar com a sua família e deixar bem claro o seu desejo. Não é necessário deixar nada por escrito. Porém, os familiares devem se comprometer a autorizar a doação por escrito após a morte. A doação de órgãos é um ato pelo qual você manifesta a vontade de que, a partir do momento da constatação da morte encefálica, uma ou mais partes do seu corpo (órgãos ou tecidos), em condiçães de serem aproveitadas para transplante, possam ajudar outras pessoas.

O que é morte encefálica?

É a morte do cérebro, incluindo tronco cerebral que desempenha funçães vitais como o controle da respiração. Quando isso ocorre, a parada cardíaca é inevitável. Embora ainda haja batimentos cardíacos, a pessoa com morte cerebral não pode respirar sem os aparelhos e o coração não baterá por mais de algumas poucas horas. Por isso, a morte encefálica já caracteriza a morte do indivíduo. Todo o processo pode ser acompanhado por um médico de confiança da família do doador. é fundamental que os órgãos sejam aproveitados para a doação enquanto ainda há circulação sangüínea irrigando-os, ou seja, antes que o coração deixe de bater e os aparelhos não possam mais manter a respiração do paciente. Mas se o coração parar, só poderão ser doadas as córneas.

Quais os requisitos para um cadáver ser considerado doador?

  •  Ter identificação e registro hospitalar
  •  Ter a causa do coma estabelecida e conhecida;
  •  Não apresentar hipotermia (temperatura do corpo inferior a 35ºC), hipotensão arterial ou estar sob  efeitos de drogas depressoras do Sistema Nervoso Central;
  •  Passar por dois exames neurológicos que avaliem o estado do tronco cerebral. Esses exames devem ser realizados por dois médicos não participantes das equipes de captação e de transplante;
  • Submeter-se a exame complementar que demonstre morte encefálica, caracterizada pela ausência de fluxo sangüíneo em quantidade necessária no cérebro, além de inatividade elétrica e metabólica cerebral; e
  • Estar comprovada a morte encefálica. Situação bem diferente do coma, quando as células do cérebro estão vivas, respirando e se alimentando, mesmo que com dificuldade ou um pouco debilitadas. Observação: Após diagnosticada a morte encefálica, o médico do paciente, da Unidade de Terapia Intensiva ou da equipe de captação de órgãos deve informar de forma clara e objetiva que a pessoa está morta e que, nesta situação, os órgãos podem ser doados para transplante.
Quero ser um doador de órgãos. Quais órgãos  posso doar?

  •  Córneas (retiradas do doador até seis horas depois da parada cardíaca e mantidas fora do corpo por até sete dias);
  • Coração (retirado do doador antes da parada cardíaca e mantido fora do corpo por no máximo seis horas);
  • Pulmão (retirados do doador antes da parada cardíaca e mantidos fora do corpo por no máximo seis horas);
  • Rins (retirados do doador até 30 minutos após a parada cardíaca e mantidos fora do corpo até 48 horas);
  • Fígado (retirado do doador antes da parada cardíaca e mantido fora do corpo por no máximo 24 horas);
  • Pâncreas (retirado do doador antes da parada cardíaca e mantido fora do corpo por no máximo 24 horas);
  • Ossos (retirados do doador até seis horas depois da parada cardíaca e mantidos fora do corpo por até cinco anos);
  •  Medula óssea (se compatível, feita por meio de aspiração óssea ou coleta de sangue);
  • Pele; e
  •  Valvas Cardíacas.
Quem recebe os órgãos e/ou tecidos doados?

Quando é reconhecido um doador efetivo, a central de transplantes é comunicada, pois apenas ela tem acesso aos cadastros técnicos com informações de quem está na fila esperando um órgão. Além da ordem da lista, a escolha do receptor será definida pelos exames de compatibilidade entre o doador e o receptor. Por isso, nem sempre o primeiro da fila é o próximo a receber o órgão.

Posso doar meus órgãos em vida?

Sim. Também existe a doação de órgãos ainda vivo. O médico poderá avaliar a história clínica da pessoa e as doenças anteriores. A compatibilidade sangüínea é primordial em todos os casos. Há também testes especiais para selecionar o doador que apresenta maior chance de sucesso. Os doadores vivos são aqueles que doam um órgão duplo como o rim, uma parte do fígado, pâncreas ou pulmão, ou um tecido como a medula óssea, para que se possa ser transplantado em alguém de sua família ou amigo. Este tipo de doação só acontece se não representar nenhum problema de saúde para a pessoa que doa.



Para doar órgãos em vida é necessário:

  • ser um cidadão juridicamente capaz;
  • estar em condições de doar o órgão ou tecido sem comprometer a saúde e aptidões vitais;
  •  apresentar condições adequadas de saúde, avaliadas por um médico que afaste a possibilidade de existir doenças que comprometam a saúde durante e após a doação;
  •  Querer doar um órgão ou tecido que seja duplo, como o rim, e não impeça o organismo do doador continuar funcionando; " Ter um receptor com indicação terapêutica indispensável de transplante; e
  •  Ser parente de até quarto grau ou cônjuge. No caso de não parentes, a doação só poderá ser feita com autorização judicial.
Orgãos e tecidos que podem ser doados em vida:

  • RIM;
  •  PÂNCREAS;
  •  MEDULA ÓSSEA (se compatível, feita por meio de aspiração óssea ou coleta de sangue);
  • FÍGADO (apenas parte dele, em torno de 70%); e
  • PULMÃO (apenas parte dele, em situações excepcionais).
Quem não pode doar?

  •  Pacientes portadores de insuficiência orgânica que comprometa o funcionamento dos órgãos e tecidos doados, como insuficiência renal, hepática, cardíaca, pulmonar, pancreática e medular;
  • Portadores de doenças contagiosas transmissíveis por transplante, como soropositivos para HIV, doença de Chagas, hepatite B e C, além de todas as demais contra-indicações utilizadas para a doação de sangue e hemoderivados;
  • Pacientes com infecção generalizada ou insuficiência de múltiplos órgãos e sistemas; e
  • Pessoas com tumores malignos - com exceção daqueles restritos ao sistema nervoso central, carcinoma basocelular e câncer de útero - e doenças degenerativas crônicas.

O que diz a Lei brasileira de transplante atualmente?

Lei que dispõe sobre a remoção de órgãos, tecidos e partes do corpo humano para fins de transplante é a Lei 9.434, de 04 de fevereiro de 1997, posteriormente alterada pela Lei nº 10.211, de 23 de março de 2001, que substituiu a doação presumida pelo consentimento informado do desejo de doar. Segundo a nova Lei, as manifestações de vontade à doação de tecidos, órgãos e partes do corpo humano, após a morte, que constavam na Carteira de Identidade Civil e na Carteira Nacional de Habilitação, perderam sua validade a partir do dia 22 de dezembro de 2000. Isto significa que, hoje, a retirada de órgãos/tecidos de pessoas falecidas para a realização de transplante depende da autorização da família. Sendo assim, é muito importante que uma pessoa, que deseja após a sua morte, ser uma doadora de órgãos e tecidos comunique à sua família sobre o seu desejo, para que a mesma autorize a doação no momento oportuno.


Como pode ser identificado um doador de órgãos?

A Centrais Estaduais também têm um papel importante no processo de identificação/doação de órgãos. As atribuições das CNCDOs são, em linhas gerais: a inscrição e classificação de potenciais receptores; o recebimento de notificações de morte encefálica, o encaminhamento e providências quanto ao transporte dos órgãos e tecidos, notificação à Central Nacional dos órgãos não aproveitados no estado para o redirecionamento dos mesmos para outros estados, dentre outras. Cabe ao coordenador estadual determinar o encaminhamento e providenciar o transporte do receptor ideal, respeitando os critérios de classificação, exclusão e urgência de cada tipo de órgão que determinam a posição na lista de espera. O que é realizado com o auxílio de um sistema informatizado para o ranking dos receptores mais compatíveis.

A identificação de potenciais doadores é feita, principalmente, nos hospitais onde os mesmos estão internados, através das Comissões Intra-hospitalares de Transplante, nas UTIs e Emergências em pacientes com o diagnóstico de Morte Encefálica. As funções da coordenação intra-hospitalar baseiam-se em organizar, no âmbito do hospital, o processo de captação de órgãos, articular-se com as equipes médicas do hospital, especialmente as das Unidades de Tratamento Intensivo e dos Serviços de Urgência e Emergência, no sentido de identificar os potenciais doadores e estimular seu adequado suporte para fins de doação, e articular-se com a respectiva Central de Notificação, Captação e Distribuição de órgãos, sob cuja coordenação esteja possibilitando o adequado fluxo de informações.


Doar é multiplicar a vida! Você pode doar. Você pode receber órgãos e tecidos.




Disque Saúde 0800 61 1997
Ministério da Saúde
Esplanada dos Ministérios - Bloco G - Brasilia / DF
CEP: 70058-900

São Paulo recebe o primeiro hospital público do país especializado em transplantes.


O estado de São Paulo, a partir do dia 15 de junho, passou a contar com o primeiro hospital público do país especializado em transplantes de órgãos e tecidos. O antigo Hospital Brigadeiro – agora rebatizado como Hospital Dr. Euryclides de Jesus Zerbini - possui capacidade para realização de até 636 cirurgias anuais e dispõe de um corpo clínico  que realizará transplantes de córnea, rim, pâncreas, fígado e medula óssea.

Além destes procedimentos, o hospital  também atenderá casos de alta complexidade em áreas como hematologia, oftalmologia, urologia e neurocirurgia. A reforma do antigo hospital durou quase dois anos e exigiu cerca de R$ 37 milhões de investimentos em obras e equipamentos.

Embora afirme não ser possível precisar o tempo em que os pacientes à espera de um órgão compatível serão atendidos, o superintendente do hospital, o médico Nacime Salomão Mansur, garante que as novas instalações terão um “impacto brutal para a população”.

“Queremos ser em breve o principal transplantador de fígado, córnea, medula óssea e pâncreas e, em curto espaço de tempo, esperamos fazer praticamente a metade do número de transplantes renais que o Hospital do Rim faz hoje. Agora, a queda no tempo de espera vai depender dos doadores e do aumento da captação de órgãos”, disse Mansur durante a inauguração do hospital.

O superintendente afirmou que o hospital continuará atendendo a usuários do Sistema Único de Saúde (SUS) de outros estados (hoje, um em cada cinco tranplantados nos hospitais paulistas é morador de outros estados) e que a triagem e o encaminhamento dos pacientes continuará sendo feito pelos ambulatórios especializados. Constatada a necessidade de transplante, o paciente é inscrito em uma lista de espera, cujo tempo de atendimento depende do órgão necessário e do estágio da doença.

Segundo Mansur, em São Paulo já não há mais fila para o transplante de córneas e a pior situação seria a dos que necessitam de um novo fígado. “É um procedimento muito complexo e há poucas equipes especializadas, além de haver poucos doadores”.

Hospital Dr. Euryclides de Jesus Zerbini
Av. Brigadeiro Luís Antônio, 2651 - Jardim Paulista
São Paulo/SP -Tel : (11) 3170-6100


Dr. Zerbini e Equipe realizando o primeiro transplante cardíaco do Brasil - 1968.
" Operar é divertido, é uma arte, é ciência e faz bem aos outros " - Euryclides de Jesus Zerbini

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Intolerância à Lactose

A Intolerância à Lactose caracteriza-se pela incapacidade do indivíduo em digerir a lactose ( açúcar do leite ) devido a deficiência ou ausência da enzima intestinal chamada lactase.
A Lactose é um dissacarídeo ( glicose+galactose) presente no leite humano (7,2g/100 ml), leite de vaca (4-5g/100 ml) e derivados. Ela é hidrolisada no intestino delgado ( jejuno) sob a ação da lactase, em glicose e lactose, que por sua vez serão absorvidas pelas células intestinais a fim de gerar energia.

Devido a essa deficiência, a lactose não digerida continua dentro do intestino e chega ao intestino grosso, onde é fermentada por bactérias, produzindo ácido láctico e gases (gás carbônico e o hidrogênio). A presença de lactose e destes compostos nas fezes no intestino grosso aumenta a pressão osmótica (retenção de água no intestino), causando diarréia ácida e gasosa, flatulência excessiva (excesso de gases), cólicas e aumento do volume abdominal.

Quais as causas de deficiência da enzima LACTASE ?

  • CONGÊNITA - situação extremamente rara, quando a criança já nasce sem a presença de lactase na mucosa intestinal
  • PRIMÁRIA - " Não persistência da Lactase " ao longo da vida do indíviduo, evoluindo com decréscimos ou ausência da enzima após o período de lactação.
  • SECUNDÁRIA -  Diminuição enzimática secundária a doenças ou cirurgias intestinais ( doenças inflamatórias intestinais - Retocolite e Doença de Crohn, infecções intestinais, cirurgias de ressecção intestinal )
O ápice de atividade da enzima lactase ocorre ao nascimento, preparando-nos desta maneira, para a amamentação. Após o desmame, há uma diminuição progressiva e variável da lactase, situação esta considerada NORMAL e que ocorre em até 70% das pessoas ( "  Não persistência à Lactase " ).
Apenas alguns grupos populacionais desenvolveram  " persistência da Lactase " (30%), devido à mutações genéticas.
Assim, os indivíduos apresentam uma queda NORMAL da lactase na mucosa intestinal, podendo desenvolver ou não sintomas, dependendo da quantidade de lactose ingerida.
Há adultos em que algum momento da vida, ao ingerir uma quantidade maior de lactose diante à sua deficiência ou ausência de lactase, apresentarão sintomas de Intolerância à Lactose.

Quais são os sintomas ?
  • Dor abdominal
  • Distensão
  • Flatulência
  • Diarréia
  • Borborigmos ( sons abdominais )
  • Náuseas e vômitos
  • Constipação ( 20% dos casos ) 
  • Cefaléia e tontura
  • Cansaço crônico
  • Dores musculares
  • Dor e edema articular
  • Problemas de concentração e memória, entre outros 
Quais são os Fatores de Risco ?

1) Genética de " Não persistência da Lactase ": alguns grupos étnicos têm maior tendência - sul americanos, japoneses, chineses, judeus
2) Idade: com o passar do tempo a lactase vai diminuindo na mucosa intestinal, assim como a tolerância ao consumo de produtos que contenham lactose.
3) Fatores nutricionais, culturais e históricos: por exemplo, no norte da Europa ( Escandinávia ) pelo frio intenso a população desenvolveu a pecuária e passou a ter um consumo elevado de leite e derivados. devido a este consumo elevado, os indivíduos daquela região desenvolveram mutações e hoje possuem uma persistência da enzima lactase.
4) Quantidade de Lactose ingerida: demanda variável ao longo da vida. Indivíduos que em algum momento da vida passam a ingerir uma quantidade mais elevada de lactose ( ex: pessoas com osteoporose ) podem vir a desenvolver a intolerância ao leite e seus derivados devido à produção insuficiente de lactase.

Como é diagnosticada a intolerância à Lactose?

  •  Teste de intolerância à lactose ( TTL ): mede a capacidade que o indivíduo tem de digerir a lactose. O paciente recebe uma dose de lactose em jejum e, depois de algumas horas, são colhidas amostras de sangue que indicam os níveis de glicose.
  • Teste Respiratório de Hidrogênio: boa sensibilidade na avaliação da digestão da lactose. O paciente ingere uma bebida com alta quantidade de lactose e o médico analisa o hálito da pessoa em intervalos que variam de 15 a 30 minutos por meio da expiração. Se o nível de hidrogênio aumentar significa um processamento incorreto da lactose no organismo.
  • Teste de PH das fezes: o exame de fezes é realizado normalmente. A lactose não  bem digerida produz ácidos que podem ser detectados nas fezes

  • Genótipo da lactase: teste genético para se saber da persistência ou não da enzima lactase
  
TRATAMENTO E PREVENÇÃO

É necessário retirar TODO o leite e derivados da dieta?

NÃO. A grande maioria dos indivíduos portadores de intolerância à lactose ainda toleram uma certa quantidade de lactose na dieta (10-12g). Desta forma é importante reconhecermos a concentração de lactose nos diversos tipos de leite e derivados:

Leite em pó -----------------52,9 g ( diluido < 5,0g ) /100 ml
Leite condensado --------------------------------12,3 g/100 ml
Leite humano -------------------------------------7,2 g/100  ml
Leite de ovelha -----------------------------------5,1 g/100 ml
Leite desnatado ----------------------------------4,8 g /100 ml
Leite semi-desnatado-----------------------------4,7 g/100 ml
Leite integral -------------------------------------4,6 g/100 ml
Leite de cabra------------------------------------4,4 g/100 ml
Sorvete de creme---------------------------------5,2 g/100 ml
Queijos --------------------------------- Traços -5,0 g/100ml
Iogurte --------------------------------------- 0-4,7 g/100 ml
Mousse ---------------------------------------3,8 g/100 ml

O tratamento da intolerância à lactose requer a redução do consumo de alimentos que contenham o açúcar, para o alívio dos sintomas. Estudos mostraram que o consumo de iogurtes e outros produtos fermentados (como leites fermentados) são bem tolerados, assim como alguns queijos (os que, em seu processo de fabricação, são envelhecidos, como o cheddar, o suíço e o gorgonzola). Mas o consumo dos chamados queijos macios deve ser feito com cuidado, pois a lactose é usada no processo de cremificação de alguns deles.
Portanto, deve-se limitar a ingestão de lactose ao limite de tolerância do paciente. Algumas pessoas podem suportar de 120 a 240 ml por dia, se ingerirem alimentos com lactose durante as refeições. Esta combinação favorece a chegada gradual da lactose ao jejuno (porção média do intestino delgado) para ser digerida.


Há pessoas, porém, cujo nível de intolerância é tal que precisam de uma dieta sem nada de lactose. Por isso, é preciso examinar cuidadosamente os rótulos de pães, bolos, biscoitos, margarinas e outros alimentos industrializados antes de consumi-los. É fundamental verificar se em sua composição de nutrientes existe leite ou produtos lácteos. Se houver, a pessoa deve abster-se destes alimentos.

É preciso a mesma atenção com as carnes industrializadas, pois elas podem conter leite em pó como agente ligante. ( Ex: salsichas, presunto, etc)
Também é preciso cautela com remédios utilizados. A indústria farmacêutica utiliza com freqüência a lactose na composição de medicamentos.

Porém, ao reduzir com rigor o consumo de produtos lácteos corre-se o risco de provocar uma deficiência de cálcio.  Em função disto, a melhor opção é utilizar produtos com menor teor de lactose. Hoje, existem no mercado leites com teores reduzidos deste açúcar sem prejuízo ao sabor ou ao valor nutritivo. São os chamados "leites com 90% menos lactose" e encontrados em supermercados. Ex: o LEVÍSSIMO, da CCPL, o ZYMIL da Parmalat, o SENSY da Batavo, entre outros. Atualmente temos também  LEITES ZERO LACTOSE no mercado brasileiro, das marca PIRACANJUBA, NINHO , MOLICO , ITALAC, BATAVO, entre outros. Muitos pacientes os utilizam sem qualquer efeito adverso.
Há também uma ampla variedade de laticínios SEM LACTOSE, como iogurtes, queijos, requeijão, entre outros.

Para quem não quer abrir mão dos alimentos com lactose, uma opção é utilizar os suplementos da enzima lactase, disponíveis no mercado internacional em comprimidos ou tabletes mastigáveis (LACTAID). O produto deve ser ingerido junto com os laticínios. Seu efeito é quebrar e desdobrar a lactose permitindo que o leite seja absorvido sem os efeitos descritos anteriormente.

A Apsen recentemente trouxe ao Brasil a enzima lactase ( LACTOSIL ) na forma prática de sachês com 4.000 FCC ALU* para crianças, e 10.000 FCC ALU para adultos. O suplemento pode ser utilizado polvilhando-se de 1 a 2 sachês sobre os alimentos lácteos ou na sua preparação, sem alterar contudo o seu sabor ou cheiro.

Outra forma de apresentação da enzima lactase recém chegada ao mercado brasileiro é a de comprimido dispersível, comercializada pelos Laboratórios:


  • LACTOSIL de 10.000 FCC comprimidos - APSEN
  • LACTANON de 10.000 FCC comprimidos - NOVA QUÍMICA
  • LACDAY  de 10.000 FCC comprimidos - EMS
  • PERLATTE de 10.000 FCC comprimidos - EUROFARMA

Quais são os alimentos que contêm lactose?




São vários os alimentos que utilizam o leite na sua fabricação. As pessoas que tem intolerância à lactose devem sempre ler o rótulo do alimento, para saber se existe algum derivado do leite como o coalho, o soro do leite, ou o próprio leite.
Os alimentos que geralmente contêm leite são: pão e outros produtos de forno; cereais processados; purê de batatas, sopas, margarina; carnes ao molho, molhos de salada; doces, misturas para panquecas, biscoitos, e bolachas etc.
É importante ler a etiqueta dos alimentos com cuidado, procurando não só o leite ou a lactose, mas também o soro do leite, o coalho, produtos derivados do leite e leite em pó magro. Qualquer produto que contenha essas substâncias deve ser evitado pelas pessoas que tem intolerância a lactose.

Existem outros alimentos além do leite que fornecem o mineral CÁLCIO ?.


Vegetais de cor verde escura como o brócolis, a couve, o agrião, a mostarda, o repolho, o nabo, o gergelim, peixes que tenham ossos moles como o salmão e a sardinha, mariscos e camarão.

 







É importante ressaltar que nem sempre os sintomas da intolerância à lactose têm a ver com a ingestão de lactose. Esses mesmos sintomas podem ser causados por outros componentes dos alimentos lácteos, como gordura, açúcares ou fibras. Portanto, é necessário conhecer detalhadamente os hábitos alimentares de cada paciente para se estabelecer uma correlação exata dos alimentos com os sintomas. Assim, os especialistas pesquisam as intolerâncias considerando as características individuais,  formulando a proposta adequada a cada um. Desta forma estaremos contribuindo para a melhora nutricional do paciente e para que o tratamento seja bem-sucedido.

Saiba mais:    Enzima LACTASE agora disponível no Brasil


sábado, 29 de maio de 2010

Caminhada no Ibirapuera pela Saúde Digestiva

Queridos amigos e leitores,


Dia 29 de Maio p.f. comemoramos o Dia Mundial da Saúde Digestiva, e para celebrar esta data com conscientização e bem-estar organizamos uma caminhada no Parque do Ibirapuera no próximo domingo, dia 30 de maio às 9H30. Local de Encontro: Portão 7 - Viveiro Manequinho Lopes

Gostaria de convidá-los para participarem desta iniciativa. Ficaria muito feliz com a presença e energia de vocês!


Vamos caminhar, nos alimentar bem e viver melhor!

Sempre podemos fazer mais pela nossa saúde digestiva!


terça-feira, 25 de maio de 2010

Campanha de Diagnóstico Gratuito da Hepatite C

A Hepatite C é uma doença hepática silenciosa que atinge cerca de 3,5 milhões de brasileiros. Entretanto, boa parte da população não sabe que é portadora do vírus HVC.

Com o objetivo de inserir a prática do diagnóstico precoce da Hepatite C nas comunidades, a Santa Casa de Misericórdia de Santo Amaro e o Hospital Santa Marina, realizam durante esta semana a campanha de detecção gratuita do vírus da doença. A Campanha é destinada a todos os cidadãos e o diagnóstico é feito através de um teste rápido sanguíneo.

Dia 24 a 28 de Maio - das 8H00 às 14H00
Santa Casa de Santo Amaro- São Paulo
Rua Isabel Schimidt, 59- Santo Amaro
Tel: (11) 5687-4322

Dia 24 a 29 de Maio - das 8H00 às 14H00
Hospital Santa Marina - São Paulo
Av. Santa Catarina,2785 - Jabaquara
Tel: (11) 5013-1100

Fato relevante é que a Hepatite C é uma doença crônica e seus sinais e sintomas podem demorar até 20 anos para surgirem, podendo evoluir silenciosamente para um quadro de cirrose hepática e até  mesmo câncer hepático. Desta forma, a prevenção e o diagnóstico precoce da doença são as melhores formas de controle da Hepatite C.

A doença até o momento não possui cura. Os medicamentos antivirais não são capazes de curar a doença, mas sim de controlá-la. Por isso, só um médico pode determinar o melhor tratamento para cada caso.
Não há vacina que previna contra a hepatite C. O que se pode fazer é minimizar o risco de contrai-la. Para isso:

  • Nunca compartilhe agulhas ou seringas;
  • Se você trabalha em um hospital, laboratório ou centro de saúde, siga as regras de biossegurança, usando luvas e roupas apropriadas;
  • Se for fazer uma tatuagem ou colocar um piercing, certifique-se de que o local utiliza instrumentos apropriadamente esterilizados. O mesmo cuidado deve ser tomado no caso de acupuntura;
  • Não compartilhe objetos de uso pessoal que possam entrar em contato com o seu sangue como escovas de dente, barbeadores, navalhas, cortadores de unha e alicates.
Previna - C!

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Nutrição Adequada e preservação ambiental - Benefícios recíprocos ao alcance de todos

Você já se perguntou se está fazendo a sua parte para reduzir o impacto ambiental? Diminuir o tempo no banho, fechar a torneira enquanto escova os dentes, separar o lixo reciclável, andar mais a pé e de bicicleta, reduzir o consumo em geral, etc... Estas atitudes já se incoporaram na rotina de muitas pessoas, entretanto, ainda possuimos hábitos que afetam de alguma forma o meio ambiente, como por exemplo, as nossas práticas alimentares.
A alimentação é um ato vital ao ser humano, muitas vezes encarado de maneira mecânica diante às atribulações diárias. É importante ressaltar que "comer" é muito diferente de alimentar-se ou nutrir-se. Comer é ingerir qualquer coisa, muitas vezes apressadamente, apenas para satisfazer vontades e saciar a fome; enquanto que nutrir é realmente suprir as necessidade do organismo a fim de manter uma saúde plena e equilibrada.
A industrialização trouxe muitas guloseimas gostosas e práticas que facilitam o dia a dia (salgadinhos, biscoitos recheados e não recheados, wafers, balas chicletes, congelados, enlatados e embutidos), mas muitas delas também comprometem a saúde e não têm as qualidades nutritivas de que necessitamos.
A questão reside não apenas no impacto orgânico, afetando o estômago, o funcionamento intestinal, os rins, a pele e sim no impacito ao ambiente que nos cerca.
Os alimentos industrializados geram uma enorme quantidade de lixo: são toneladas de embalagens jogadas fora segundos depois de abertas, sendo que muitas delas nem podem ser recicladas. E não podemos nos esquecer dos recursos naturais utilizados: matérias-primas, água, energia...
Desta maneira, aumentam as doenças causadas tanto pelo excesso de gorduras, aditivos químicos e não nutrientes presentes neste tipo de alimento como pela falta de nutrientes, aumentando simultaneamente os problemas de saúde na população e a produção de lixo ambiental.

Mudar de hábito é um imenso desafio

Mudanças começam com o conhecimento e a determinação de cada um de nós. Aqui vão algumas dicas:
  • Reduza o consumo de alimentos industrializados. Tente consumir mais vegetais, frutas, cereais, grãos e tubérculos ( coisas da terra!)
  •  Ao consumir industrializados, verifique os ingredientes e a quantidade de aditivos (conservantes, corantes, adoçantes, acidulantes). Fique atento à tabela nutricional nas embalagens dos produtos.
  • Prefira produtos integrais, que têm menos aditivos, menos processamento, menos refinamentos e ajudam a proteger a saúde.
  • Priorize os produtos que  possuam  menos embalagens  e/ou embalagens recicláveis (símbolo do triângulo de setas)
  •  Eleja suas marcas! Existem empresas que realmente se preocupam com o aquecimento global, com questões de sustentabilidade e como minimizar seus efeitos no ambiente. Pesquise, informe-se e diga não a marcas não sustentáveis ambientalmente.
  • Prefira alimentos orgânicos, sem agrotóxicos (verifique o selo de certificação ou procure locais confiáveis, feiras de bairro, pequenos produtores)
  • Prefira produtos nacionais: assim você colabora com o desenvolvimento do nosso país e ainda evita os longos percursos dos produtos importados até chegar à sua casa, racionando assim,  recursos ambientais como o petróleo.
" Pense global e aja localmente. Pense no futuro e aja imediatamente! "

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Divertículos Intestinais e Diverticulite Aguda

Divertículos intestinais são pequenas saculações em fundo cego ( semelhantes a dedos de luva ) que se formam na parede do intestino grosso ao longo da vida de um indivíduo, sendo mais comuns com o avanço da idade.
Estima-se que a incidência de diverticulose ( presença de divertículos no cólon ) seja de 5 a 10% nos indíviduos com mais de 40 anos, de 30% nas pessoas com mais de 50 anos e de 50 a 70% em indíviduos acima dos 70 anos.
Os divertículos atingem igualmente ambos os sexos e têm preferência pelo cólon sigmóide, descendente e ceco.
A maioria das pessoas possuem múltiplos divertículos, os quais ocorrem em vários pontos da parede dos cólons, entre as fibras musculares, geralmente nos locais mais frágeis desta parede. São verdadeiras herniações da mucosa através da musculatura intestinal. Como toda hérnia, são originados pela debilidade da parede do cólon, por aumento da pressão intraintestinal ou por ambos os fatores.
É interessante saber que os divertículos não ocorrem no reto ou no apêndice cecal, locais onde a musculatura demonstra-se mais espessa, resistente e contínua.
De forma geral, a maioria dos pacientes portadores de diverticulose (cerca de 80%) permanecem assintomáticos, durante toda a vida.

Podemos identificar duas formas distintas de diverticulose intestinal:
  • HIPERTÔNICA: ocorre em indivíduos mais jovens, entre 40 e 50 anos, apresentando invariavelmente constipação intestinal. Localizam-se preferencialmente no sigmóide, são pequenos, fusiformes , de colo longo e estreito , gerando uma hipertrofia da musculatura adjacente, traduzida clinicamente como DOR do lado esquerdo do abdomem. A complicação mais frequente é a inflamação de um ou mais divertículos ( DIVERTICULITE ), que pode evoluir para abscessos peridiverticulares (coleções de pus), fístulas ( comunicação anormal do intestino inflamado com outros órgão próximos , como bexiga e vagina ) e perfuração.
  • HIPOTÔNICA: ocorre rotineiramente na maioria da população, em indivíduos acima dos 60 anos. Os divertículos são difusos por todo o cólon, de colo largo e curto. Trata-se de uma alteração natural da parede intestinal, decorrente da degeneração e hipotonicidade que se instalam nos tecidos musculares com o passar do tempo. Do ponto de vista clínico, os pacientes são geralmente assintomáticos, podendo apresentar uma complicação nem sempre de fácil manejo, que é a hemorragia digestiva baixa maciça, por ruptura de vasos localizados na base destes divertículos. Dois terços dos casos de hemorragia ocorrem em divertículos situados no cólon direito.
É importante ressaltar que a ocorrência de divertículos deve-se, em geral, à ingestão de uma dieta com poucos resíduos, pobre em fibras.

Como são diagnosticados os divertículos intestinais?
A maioria dos divertículos assintomáticos são diagnósticados através do exame de colonoscopia ou através do exame de enema opaco ( raio-x contrastado do intestino).

Qual a diferença entre divertículo, diverticulose, doença diverticular e  diverticulite?
Bem, durante muito tempo a presença destas saculações na parede intestinal ( divertículos) era denominada  doença diverticular ou moléstia diverticular; termo este que caiu em desuso ao perceber-se que a maioria de tais divertículos eram assintomáticos durante toda a vida. Atualmente, é consenso denominar a presença dos divertículos no intestino apenas como DIVERTICULOSE, ao passo que esta alteração da parede intestinal per si, não é considerada doença.
À partir do momento que temos a inflamação destes divertículos ( uma complicação), chamamos o quadro de DIVERTICULITE, caracterizando de fato, uma afecção.

Sabendo um pouco mais sobre DIVERTICULITE:

Trata-se da complicação mais frequente dos divertículos do cólon esquerdo. A diverticulite aguda ocorre devido à obstrução destes divertículos por fezes ou por alguns alimentos, o que leva a um grande processo inflamatório na parede intestinal, associado a uma infecção do local. A diverticulite aguda é uma complicação comum na evolução e história natural da doença diverticular, e ocorre em 10 a 25% dos pacientes com divertículos intestinais.
Os pacientes apresentam-se nos consultórios ou unidades de pronto-atendimento com quadro de dor abdominal intensa na região esquerda inferior do abdomem. Esta dor pode estar acompanhada de febre, tensão da parede do abdomem e massa abdominal palpável. Pode apresentar vários graus de gravidade, oscilando desde dores em cólicas à condição de inflamação intensa com necessidade de resolução cirúrgica de urgência.
O tratamento da diverticulite é clínico na maioria dos casos ( antibióticos , antiinflamatórios e dietoterapia), reservando-se  a cirurgia à casos de complicações como fístulas e perfurações ou naqueles pacientes que apresentam crises de diverticulite recorrentes.
Nestes casos, exames subsidiários ( laboratoriais, ultrassom, tomografia computadorizada, entre outros) são necessários para adequada investigação e conduta do caso.

Tenho DIVERTÍCULOS, como devo fazer para me prevenir da DIVERTICULITE?
A primeira coisa a se fazer, é melhorar o hábito intestinal, incrementando a ingestão de fibras e de líquidos na alimentação diária. Desta maneira, as fezes ficarão mais macias e hidratadas, facilitando o seu deslocamento ao longo do intestino grosso, sem impactações fecais dentro dos divertículos.Outro ponto importante é evitar a ingestão de sementes de frutos como melancia, uva, goiaba, entre outros, que podem deslocar-se para o interior dos divertículos, desencadeando um processo inflamatório.
As fibras estão presentes na maioria dos alimentos não-industrializados, como frutas, verduras, legumes, farelo de trigo, linhaça, quinua, aveia e pães integrais.
Vale lembrar:
A ingestão de fibra alimentar recomendada para um adulto é de aproximadamente de 25 a 30g por dia.
A ingestão de líquidos ( água, sucos, chás ) recomendada  é de  no mínimo de 2 litros por dia.

Mais uma vez: alimentação adequada e correta hidratação....podemos sempre fazer mais por nossa saúde digestiva!     

quarta-feira, 5 de maio de 2010

II Encontro de Portadores de Hepatite C

II ENCONTRO DE PORTADORES DE HEPATITE C


16 de maio de 2010 - domingo


Tema: Mesa Redonda sobre Tratamento da Hepatite C

Coordenador: Prof. Dr. Édison Roberto Parise (Presidente da APEF-Associação Paulista para Estudo do Fígado)

Local: Auditório do Hospital Alemão Oswaldo Cruz – 14º andar

Rua João Julião, 331 - Paraíso / São Paulo – SP

Metrô Vergueiro ou Paraíso


INSCRIÇÕES E INFORMAÇÕES:

E-MAIL: portadoresdehepatites@gmail.com
Tel (11) 7486-4829

Inscrições: 1 Kg de alimento não-perecível ou produto de limpeza a ser doado para a APAT
APAT - Associação para Pesquisa e Assistência em Transplantes
http://www.apat.org.br/

PROGRAMAÇÃO


08h00 às 09h00– RECEPÇÃO

09h00 às 09h05 – APRESENTAÇÃO APAT

09h05 às 09h25 – COMO MELHORAR OS RESULTADOS DO TRATAMENTO

09h25 às 09h45– IMPORTÂNCIA DOS EXAMES DE CONTROLE NO TRATAMENTO
9h45 às 10h05 – COMO CONVIVER COM OS EFEITOS COLATERAIS DO TRATAMENTO

10h05 às 10h30 COFFEE BREAK

10h30 às 11h30 PERGUNTAS

11h30 às 12h00 – NOVOS TRATAMENTOS PARA HEPATITE C

12h00 – 12h10 – Sorteio de Brindes e Encerramento


REALIZAÇÃO: APEF –GAPHOR
APOIO: APAT – HOSPITAL ALEMÃO OSWALDO CRUZ

quinta-feira, 29 de abril de 2010

Esteatose Hepática - gordura inocente no fígado ?

A Esteatose Hepática (EH) , também conhecida popularmente como "fígado gorduroso" , é o acúmulo de gordura no interior das células hepáticas ( hepatócitos), excedendo 5% o peso do fígado.
Nas últimas 3 décadas, o "fígado gorduroso" tem sido alvo de grande interesse e investigação científica.
Pensava-se anteriormente que este processo só ocorresse nos casos de ingestão excessiva de álcool (esteatose alcoólica), porém esteatose não alcoólica pode ocorrer em diabéticos, em obesos ou com sobrepeso (faixa intermediária entre o normal e a obesidade), nos que usam certos tipos de medicamentos ou são expostos a algumas substâncias, nos desnutridos e em pessoas com distúrbios do metabolismo lipídico (colesterol e/ou triglicérides elevados). Outra condição que é associada à presença de esteatose hepática é a hepatite C crônica.
Desta forma, podemos dividir os pacientes que podem apresentar EH em 3 grupos:
  • Etilistas crônicos / ingestão abusiva de álcool
  • Portadores de Hepatites virais crônicas ( especialmente hepatite C )
  • Portadores de doença hepática gordurosa não-alcoólica (DHGNA)


A prevalência mundial da DHGNA na população é em torno de 20%  e  atualmente a EH é diagnosticada com maior frequência devido a ampla utilização dos métodos de imagem ( ultrassonografia, tomografia e ressonância magnética ) no diagnóstico de doenças abdominais.


Classificação e principais causas de DHGNA

Há vários motivos pelos quais o metabolismo natural de gordura pode ser alterado e levar à DHGNA.
O mais estudado está relacionado a resistência dos tecidos ao hormônio insulina, que regula e influencia todos os processos metabólicos que envolvem açúcares e gorduras. Com a resistência à insulina, há aumento da lipólise (transformação dos lipídeos em ácidos graxos, especialmente na forma de triglicérides), com o aumento no aporte de ácidos graxos ao fígado.

Causas:

Primária
Resistência a insulina 
  • Diabetes mellitus tipo 2 ou intolerância à glicose
  • Obesidade
  • Hiperlipidemia ( colesterol/triglicérides elevados )
Medicamentos
  • Corticosteróide ( reumatismos, asma )
  • Estrogênios ( anticoncepcionais )
  • Amiodarona ( arritimias )
  • Metotrexato 
  • Nifedipina ( hipertensão )
  • Salicilatos ( AAS )
  • Tamoxifeno
  • Tetraciclina
  • Isoniazida
  • Cloroquina
Secundária
Cirurgias
  • Gastroplastia 
  • Bypass jejunoileal 
  • Ressecções extensas do intestino delgado
  • Derivação biliopancreática
Outros
  • Abeta/hipobetalipoproteinemia
  • Doença de Weber-Christian
  • Toxinas industriais
  • Diverticulose  com supercrescimento bacteriano
  • Desnutrição proteico-calórica
  • Nutrição parenteral prolongada
  • Perda rápida de peso
  • Hipotireoideismo
  • Lipodistrofia
  • Doença inflamatória intestinal
  • Infecção por HIV

Pode ocorrer desde apenas a presença de gorduras no fígado (esteatose) até a esteato-hepatite (inflamação), fibrose e cirrose hepática. O principal mecanismo conhecido é a resistência insulínica (os tecidos não respondem bem à ação da insulina), comum nos diabéticos tipo II e nos obesos.
 
 
A ilustração acima nos mostra as diferenças entre um fígado saudável e um esteatótico. Observem o tamanho e a coloração amarelada do fígado gorduroso. Nas imagens de biópsias, pode-se notar a presença de gordura ( branca ) no meio do tecido hepático.



Qual o risco de se ter um "fígado gorduroso" ( esteatose hepática)?

A esteatose hepática, em si, não é uma doença, mas reflete uma doença metabólica.A EH pode ser encontrada isoladamente ou associada a achados necroinflamatórios das células do fígado, caracterizando a Esteato-Hepatite.  Infelizmente, por um motivo ainda desconhecido, o organismo desencadeia uma inflamação contra os hepatócitos com acúmulo de gordura, que são gradualmente destruídos. Dependendo da intensidade desta destruição, isso pode levar à formação de fibrose (cicatrizes) que vão se acumulando e progredindo até a formação de nódulos, o que caracteriza a cirrose. Nesta fase a função hepática encontra-se seriamente comprometida, às vezes, de forma irreversível.
Estudos populacionais demonstraram ainda que provavelmente grande parte das cirroses previamente sem causa definida pode ser atribuida a esse tipo de hepatite.


Quais são os sintomas de EH?
A maioria dos pacientes não apresenta sinais ou sintomas de doença hepática na ocasião do diagnóstico, embora alguns pacientes possam relatar fadiga, mal-estar, dor ou desconforto no quadrante superior direito do abdomem. Hepatomegalia (aumento do fígado) pode ser o único achado ao exame físico, ao passo que achados de doença hepática crônica ou diminuição do número de plaquetas sugerem doença avançada.

Como é realizado o diagnóstico de EH?
Em geral, o diagnóstico é feito de maneira acidental pelo encontro de elevação nas enzimas hepáticas ( ALT e AST ) e/ou pela presença de esteatose ao ultrassom de abdomem ou pelo encontro de hepatomegalia ao exame físico.
Alteração dos níveis de ferritina é encontrada na metade dos pacientes. Os valores sanguíneos dos triglicérides estão mais frequentemente elevados do que os níveis de colesterol e a concentração sanguínea do HDL (bom colesterol) está geralmente reduzida, parecendo existir uma relação inversa entre os valores do HDL e a intensidade da esteatose.

Esteatose versus esteato-hepatite


A diferenciação entre a esteatose "simples" e a esteatose com inflamação associada nem sempre é fácil e só pode ser confirmada pela biópsia hepática. A elevação das aminotransferases (AST e ALT), na ausência de outras causas (como a hepatite C, que tende a cursar com o aparecimento de uma esteatose), geralmente indica a presença de inflamação. Um dos sinais laboratoriais mais precoces, apesar de pouco específico, é o aumento da gama-glutamil transferase (GGT).
Uma esteatose hepática leve normalmente não causa sintomas ou complicações. Porém, quanto maior e mais prolongado for o acúmulo de gordura, maiores os riscos de lesão hepática. Quando há gordura em excesso e por muito tempo, as células do fígado podem sofrer danos, ficando inflamadas. Este quadro é chamado de esteato-hepatite ou hepatite gordurosa. Se não tratado, pode evoluir para cirrose.
Estudos epidemiológicos definiram que os pacientes com maior risco para progressão da doença são: maiores que 45 anos, relação AST/ALT > 1, obesidade e diabetes.



Qual o tratamento da esteatose hepática?

Não existe tratamento específico para esteatose. O alvo deve ser o tratamento dos fatores de risco citados acima. A fase de esteatose pode ser reversível apenas com alterações dos hábitos de vida.

Nos casos de esteatose associada ao consumo do álcool, a abstinência torna-se mandatória. Nos casos de pacientes portadores de hepatite C, a erradicação viral é acompanhada, em geral, com o desaparecimento da esteatose. Em muitos casos,  suspendendo-se o uso de algum medicamento hepatotóxico ou afastando-se da exposição a produtos tóxicos, temos a melhora do quadro esteatótico.
Sendo a obesidade um fator importante para o aparecimento da doença hepática gordurosa não alcoólica ( DHGNA), a redução de peso naqueles pacientes obesos tem sido a primeira iniciativa.
A perda de peso é uma importante medida, porém, não deve ser muito rápida ( máximo de 1,5 kg por semana) para não piorar do quadro de deposição de gordura no fígado . A prática regular de atividade física e a redução da ingestão calórica também ajudam muito, pois diminuem o colesterol e aumentam o efeito da insulina.
Diversos tratamentos farmacológicos para DHGNA estão sendo propostos, mas nenhum tem estudo comprobatório da sua eficácia. Os mais promissores são: genfibrozil ( hipolipemiante ), acido ursodeoxicólico ( reduz ácidos biliares, imunoprotetor e estabilizador de membrana ), agente antioxidantes (N-acetilcisteína,betaina e vitamina E ) e agentes que atuam na redução da resistência períferica à insulina ( metformina e glitazonas). Aguardamos futuras pesquisas onde estes agentes serão utilizados em estudos duplo-cego, placebo controlados.