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segunda-feira, 19 de abril de 2010

Antiinflamatórios e seus efeitos nocivos no estômago

Os processos inflamatórios são, sem dúvida, problemas bastante comuns em nosso dia a dia.
Inadvertidamente, consumir antiinflamatórios sem prescrição médica é comum não somente no caso de doenças específicas, como artrite reumatóide ou osteoartrite, mas também em muitos outros em que estão presentes fenômenos dolorosos em geral, incluindo dores de cabeça, gripes, contusões e cólicas menstruais.
Em todo mundo, medicamentos aintiinflamatórios não hormonais ( AINHs) e o ácido acetilsalicílico (AAS) são consumidos e por não ter acompanhamento médico, boa parte dos usuários destes e de outros antiinflamatórios apresentam algum tipo de sintoma gástrico, como dor de estômago, azia, náuseas e vômitos, sintomas estes que frequentemente levam à interrupção do tratamento.

O que os AINHs e os AAS podem causar de mal no aparelho digestivo?
O uso destes medicamentos podem proporcionar o aparecimento de sintomas de queimação gástrica, azia, dor e desconforto abdominal, além de complicações como gastrite, úlcera e hemorragias digestivas.

As ações lesivas dos AINHs e dos AAS atinge outros órgãos?
Infelizmente, as ações lesivas dos antiinflamatórios sobre o trato gastrointestinal não se limitam apenas ao estômago e ao duodeno, mas incluem também o esôfago, todo intestino delgado e cólon. Além disto, o seu uso indiscriminado está associado a problemas renais e cardíacos.

O uso de antiinflamatórios aumenta a chance de complicações de doenças?
Sim. as úlceras pépticas têm sua incidência significativamente aumentada com o uso de AINHs, corticóides( antiinflamatórios hormonais) e AAS. As complicações ocorrem de maneira silenciosa, sendo frequente o aparecimento de hemorragia e perfuração do órgão como primeiro sinal. O risco de possíveis complicações é maior se a pessoa tiver mais de 60  anos de idade ou se já possuir uma história pregressa de gastrite ou úlcera.

Fatores de risco para  ÚLCERAS induzidas por AINHs : 
  • Idade maior que 60 anos
  • História prévia de gastrite, úlcera e hemorragia
  • Co-tratamento com corticóides
  • Uso de altas doses de AINHs
  • Associação de AINHs
  • Co-tratamento com anticoagulantes
  • Sexo feminino
  • Tabagismo
  • Infecção por " helicobacter pylori "  
Quais os antiinflamatórios não hormonais mais comuns?
Alguns exemplos: ácido acetilsalicílico, diclofenaco, nimesulida, meloxicam, piroxicam, indometacina, ibuprofeno, celecoxibe. Antiinfamatórios como o celecoxibe e o lumiracoxib são menos agressivos, porém também podem causar complicações renais , cardíacas e gastrointestinais.

Por que os AINHs agridem o aparelho digestivo?
Pois o uso prolongado de antiinflamatórios interfere na capacidade do estômago de proteger-se contra os seus ácidos.
O estômago possui três defesas contra os sucos digestivos: o muco, que reveste a parede gástrica e a protege contar o ácido; o bicarbonato, que neutraliza o ácido do estômago; e a circulação sanguínea gástrica, que ajuda na renovação e reparação celular. Os AINHs interferem nestes mecanismos de proteção e, com as defesas do estômago baixas, os sucos gástricos podem ferir e lesar de maneira superficial ou profunda a mucosa do órgão, desencadeando sintomas e doenças.

Estudos epidemiológicos sugerem que 15 a 40% dos pacientes que utilizam AINHs apresentam algum tipo de sintoma digestivo, sendo que 10% destes pacientes são obrigados a interromper o tratamento devido a severidade dos sintomas. Além disto, de todos os usuários crônicos de AINHs, 10 a 30% poderão vir a desenvolver úlcera péptica, predominantemente úlcera gástrica.
Existe ainda uma grande preocupação quanto ao uso de AAS em baixa dosagem para a prevenção de fenômenos tromboembólicos cardivasculares e seu impacto sobre o trato gastrointestinal. Segundo estudos apresentados no último Congresso Europeu de Gastrenterologia-UEGW de  Londres em 2009, estima-se que a incidência de úlceras com sangramento em usuários crônicos de AAS para a prevenção de eventos cardiovasculares seja de 1,2 por 100 pacientes-ano.

Existe alguma proteção contra os efeitos gastrointestinais lesivos dos AINHs e AAS ?
Atualmente contamos com opções de medicamentos capazes de diminuir a acidez gástrica e proteger o esôfago, estômago e duodeno de tais agressões. Naqueles pacientes que necessitam de uso prolongado ou crônico dos antiinflamatórios faz-se necessária a adequada avaliação dos fatores de risco para gastrite, doença ulcerosa péptica e suas complicações.

Vale lembrar: antiinflamatórios usados de forma incorreta podem ser prejudiciais à saúde.
Como em qualquer outra situação, antes de tomar qualquer medicamento, consulte sempre o médico para obter o melhor tratamento e orientação para  o seu caso.

4 comentários:

  1. minha mãe tem 72 anos e vive tomando anti-inflamatório e remédio para dores por conta.Conclusão: no ano passado teve uma ulcera no estômago com hemorragia séria. Obrigada pelo alerta! Vou ler para ela.
    Marise Tenório

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  2. Seria o caso de usar bicarbonato de sódio, para reduzir a acidez e ajudar a proteger o estomago...?

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  3. O bicarbonato seria uma medida paleativa, pq se vc neutraliza o ácido o corpo dá um jeito de produzir mais acido para compesar. Então o tratamento para a proteção do estomago seria inibidores da boma de protons ( inibir a formação de ácido).
    Ex: Omeprazol, pantoprazol, pantocal

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  4. OBRIGADO GOSTEI MUITO DA SUA MATERIA POIS ESTOU TRATANDO UM PANGASTRITE A UM MES E AGORA TIVE QUE USA UM CORTICOIDE POR 5 DIA MAS FASSO USO DE OMEPRAZOL POSSO FICAR TRANQUILO

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