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sábado, 29 de maio de 2010

Caminhada no Ibirapuera pela Saúde Digestiva

Queridos amigos e leitores,


Dia 29 de Maio p.f. comemoramos o Dia Mundial da Saúde Digestiva, e para celebrar esta data com conscientização e bem-estar organizamos uma caminhada no Parque do Ibirapuera no próximo domingo, dia 30 de maio às 9H30. Local de Encontro: Portão 7 - Viveiro Manequinho Lopes

Gostaria de convidá-los para participarem desta iniciativa. Ficaria muito feliz com a presença e energia de vocês!


Vamos caminhar, nos alimentar bem e viver melhor!

Sempre podemos fazer mais pela nossa saúde digestiva!


terça-feira, 25 de maio de 2010

Campanha de Diagnóstico Gratuito da Hepatite C

A Hepatite C é uma doença hepática silenciosa que atinge cerca de 3,5 milhões de brasileiros. Entretanto, boa parte da população não sabe que é portadora do vírus HVC.

Com o objetivo de inserir a prática do diagnóstico precoce da Hepatite C nas comunidades, a Santa Casa de Misericórdia de Santo Amaro e o Hospital Santa Marina, realizam durante esta semana a campanha de detecção gratuita do vírus da doença. A Campanha é destinada a todos os cidadãos e o diagnóstico é feito através de um teste rápido sanguíneo.

Dia 24 a 28 de Maio - das 8H00 às 14H00
Santa Casa de Santo Amaro- São Paulo
Rua Isabel Schimidt, 59- Santo Amaro
Tel: (11) 5687-4322

Dia 24 a 29 de Maio - das 8H00 às 14H00
Hospital Santa Marina - São Paulo
Av. Santa Catarina,2785 - Jabaquara
Tel: (11) 5013-1100

Fato relevante é que a Hepatite C é uma doença crônica e seus sinais e sintomas podem demorar até 20 anos para surgirem, podendo evoluir silenciosamente para um quadro de cirrose hepática e até  mesmo câncer hepático. Desta forma, a prevenção e o diagnóstico precoce da doença são as melhores formas de controle da Hepatite C.

A doença até o momento não possui cura. Os medicamentos antivirais não são capazes de curar a doença, mas sim de controlá-la. Por isso, só um médico pode determinar o melhor tratamento para cada caso.
Não há vacina que previna contra a hepatite C. O que se pode fazer é minimizar o risco de contrai-la. Para isso:

  • Nunca compartilhe agulhas ou seringas;
  • Se você trabalha em um hospital, laboratório ou centro de saúde, siga as regras de biossegurança, usando luvas e roupas apropriadas;
  • Se for fazer uma tatuagem ou colocar um piercing, certifique-se de que o local utiliza instrumentos apropriadamente esterilizados. O mesmo cuidado deve ser tomado no caso de acupuntura;
  • Não compartilhe objetos de uso pessoal que possam entrar em contato com o seu sangue como escovas de dente, barbeadores, navalhas, cortadores de unha e alicates.
Previna - C!

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Nutrição Adequada e preservação ambiental - Benefícios recíprocos ao alcance de todos

Você já se perguntou se está fazendo a sua parte para reduzir o impacto ambiental? Diminuir o tempo no banho, fechar a torneira enquanto escova os dentes, separar o lixo reciclável, andar mais a pé e de bicicleta, reduzir o consumo em geral, etc... Estas atitudes já se incoporaram na rotina de muitas pessoas, entretanto, ainda possuimos hábitos que afetam de alguma forma o meio ambiente, como por exemplo, as nossas práticas alimentares.
A alimentação é um ato vital ao ser humano, muitas vezes encarado de maneira mecânica diante às atribulações diárias. É importante ressaltar que "comer" é muito diferente de alimentar-se ou nutrir-se. Comer é ingerir qualquer coisa, muitas vezes apressadamente, apenas para satisfazer vontades e saciar a fome; enquanto que nutrir é realmente suprir as necessidade do organismo a fim de manter uma saúde plena e equilibrada.
A industrialização trouxe muitas guloseimas gostosas e práticas que facilitam o dia a dia (salgadinhos, biscoitos recheados e não recheados, wafers, balas chicletes, congelados, enlatados e embutidos), mas muitas delas também comprometem a saúde e não têm as qualidades nutritivas de que necessitamos.
A questão reside não apenas no impacto orgânico, afetando o estômago, o funcionamento intestinal, os rins, a pele e sim no impacito ao ambiente que nos cerca.
Os alimentos industrializados geram uma enorme quantidade de lixo: são toneladas de embalagens jogadas fora segundos depois de abertas, sendo que muitas delas nem podem ser recicladas. E não podemos nos esquecer dos recursos naturais utilizados: matérias-primas, água, energia...
Desta maneira, aumentam as doenças causadas tanto pelo excesso de gorduras, aditivos químicos e não nutrientes presentes neste tipo de alimento como pela falta de nutrientes, aumentando simultaneamente os problemas de saúde na população e a produção de lixo ambiental.

Mudar de hábito é um imenso desafio

Mudanças começam com o conhecimento e a determinação de cada um de nós. Aqui vão algumas dicas:
  • Reduza o consumo de alimentos industrializados. Tente consumir mais vegetais, frutas, cereais, grãos e tubérculos ( coisas da terra!)
  •  Ao consumir industrializados, verifique os ingredientes e a quantidade de aditivos (conservantes, corantes, adoçantes, acidulantes). Fique atento à tabela nutricional nas embalagens dos produtos.
  • Prefira produtos integrais, que têm menos aditivos, menos processamento, menos refinamentos e ajudam a proteger a saúde.
  • Priorize os produtos que  possuam  menos embalagens  e/ou embalagens recicláveis (símbolo do triângulo de setas)
  •  Eleja suas marcas! Existem empresas que realmente se preocupam com o aquecimento global, com questões de sustentabilidade e como minimizar seus efeitos no ambiente. Pesquise, informe-se e diga não a marcas não sustentáveis ambientalmente.
  • Prefira alimentos orgânicos, sem agrotóxicos (verifique o selo de certificação ou procure locais confiáveis, feiras de bairro, pequenos produtores)
  • Prefira produtos nacionais: assim você colabora com o desenvolvimento do nosso país e ainda evita os longos percursos dos produtos importados até chegar à sua casa, racionando assim,  recursos ambientais como o petróleo.
" Pense global e aja localmente. Pense no futuro e aja imediatamente! "

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Divertículos Intestinais e Diverticulite Aguda

Divertículos intestinais são pequenas saculações em fundo cego ( semelhantes a dedos de luva ) que se formam na parede do intestino grosso ao longo da vida de um indivíduo, sendo mais comuns com o avanço da idade.
Estima-se que a incidência de diverticulose ( presença de divertículos no cólon ) seja de 5 a 10% nos indíviduos com mais de 40 anos, de 30% nas pessoas com mais de 50 anos e de 50 a 70% em indíviduos acima dos 70 anos.
Os divertículos atingem igualmente ambos os sexos e têm preferência pelo cólon sigmóide, descendente e ceco.
A maioria das pessoas possuem múltiplos divertículos, os quais ocorrem em vários pontos da parede dos cólons, entre as fibras musculares, geralmente nos locais mais frágeis desta parede. São verdadeiras herniações da mucosa através da musculatura intestinal. Como toda hérnia, são originados pela debilidade da parede do cólon, por aumento da pressão intraintestinal ou por ambos os fatores.
É interessante saber que os divertículos não ocorrem no reto ou no apêndice cecal, locais onde a musculatura demonstra-se mais espessa, resistente e contínua.
De forma geral, a maioria dos pacientes portadores de diverticulose (cerca de 80%) permanecem assintomáticos, durante toda a vida.

Podemos identificar duas formas distintas de diverticulose intestinal:
  • HIPERTÔNICA: ocorre em indivíduos mais jovens, entre 40 e 50 anos, apresentando invariavelmente constipação intestinal. Localizam-se preferencialmente no sigmóide, são pequenos, fusiformes , de colo longo e estreito , gerando uma hipertrofia da musculatura adjacente, traduzida clinicamente como DOR do lado esquerdo do abdomem. A complicação mais frequente é a inflamação de um ou mais divertículos ( DIVERTICULITE ), que pode evoluir para abscessos peridiverticulares (coleções de pus), fístulas ( comunicação anormal do intestino inflamado com outros órgão próximos , como bexiga e vagina ) e perfuração.
  • HIPOTÔNICA: ocorre rotineiramente na maioria da população, em indivíduos acima dos 60 anos. Os divertículos são difusos por todo o cólon, de colo largo e curto. Trata-se de uma alteração natural da parede intestinal, decorrente da degeneração e hipotonicidade que se instalam nos tecidos musculares com o passar do tempo. Do ponto de vista clínico, os pacientes são geralmente assintomáticos, podendo apresentar uma complicação nem sempre de fácil manejo, que é a hemorragia digestiva baixa maciça, por ruptura de vasos localizados na base destes divertículos. Dois terços dos casos de hemorragia ocorrem em divertículos situados no cólon direito.
É importante ressaltar que a ocorrência de divertículos deve-se, em geral, à ingestão de uma dieta com poucos resíduos, pobre em fibras.

Como são diagnosticados os divertículos intestinais?
A maioria dos divertículos assintomáticos são diagnósticados através do exame de colonoscopia ou através do exame de enema opaco ( raio-x contrastado do intestino).

Qual a diferença entre divertículo, diverticulose, doença diverticular e  diverticulite?
Bem, durante muito tempo a presença destas saculações na parede intestinal ( divertículos) era denominada  doença diverticular ou moléstia diverticular; termo este que caiu em desuso ao perceber-se que a maioria de tais divertículos eram assintomáticos durante toda a vida. Atualmente, é consenso denominar a presença dos divertículos no intestino apenas como DIVERTICULOSE, ao passo que esta alteração da parede intestinal per si, não é considerada doença.
À partir do momento que temos a inflamação destes divertículos ( uma complicação), chamamos o quadro de DIVERTICULITE, caracterizando de fato, uma afecção.

Sabendo um pouco mais sobre DIVERTICULITE:

Trata-se da complicação mais frequente dos divertículos do cólon esquerdo. A diverticulite aguda ocorre devido à obstrução destes divertículos por fezes ou por alguns alimentos, o que leva a um grande processo inflamatório na parede intestinal, associado a uma infecção do local. A diverticulite aguda é uma complicação comum na evolução e história natural da doença diverticular, e ocorre em 10 a 25% dos pacientes com divertículos intestinais.
Os pacientes apresentam-se nos consultórios ou unidades de pronto-atendimento com quadro de dor abdominal intensa na região esquerda inferior do abdomem. Esta dor pode estar acompanhada de febre, tensão da parede do abdomem e massa abdominal palpável. Pode apresentar vários graus de gravidade, oscilando desde dores em cólicas à condição de inflamação intensa com necessidade de resolução cirúrgica de urgência.
O tratamento da diverticulite é clínico na maioria dos casos ( antibióticos , antiinflamatórios e dietoterapia), reservando-se  a cirurgia à casos de complicações como fístulas e perfurações ou naqueles pacientes que apresentam crises de diverticulite recorrentes.
Nestes casos, exames subsidiários ( laboratoriais, ultrassom, tomografia computadorizada, entre outros) são necessários para adequada investigação e conduta do caso.

Tenho DIVERTÍCULOS, como devo fazer para me prevenir da DIVERTICULITE?
A primeira coisa a se fazer, é melhorar o hábito intestinal, incrementando a ingestão de fibras e de líquidos na alimentação diária. Desta maneira, as fezes ficarão mais macias e hidratadas, facilitando o seu deslocamento ao longo do intestino grosso, sem impactações fecais dentro dos divertículos.Outro ponto importante é evitar a ingestão de sementes de frutos como melancia, uva, goiaba, entre outros, que podem deslocar-se para o interior dos divertículos, desencadeando um processo inflamatório.
As fibras estão presentes na maioria dos alimentos não-industrializados, como frutas, verduras, legumes, farelo de trigo, linhaça, quinua, aveia e pães integrais.
Vale lembrar:
A ingestão de fibra alimentar recomendada para um adulto é de aproximadamente de 25 a 30g por dia.
A ingestão de líquidos ( água, sucos, chás ) recomendada  é de  no mínimo de 2 litros por dia.

Mais uma vez: alimentação adequada e correta hidratação....podemos sempre fazer mais por nossa saúde digestiva!     

quarta-feira, 5 de maio de 2010

II Encontro de Portadores de Hepatite C

II ENCONTRO DE PORTADORES DE HEPATITE C


16 de maio de 2010 - domingo


Tema: Mesa Redonda sobre Tratamento da Hepatite C

Coordenador: Prof. Dr. Édison Roberto Parise (Presidente da APEF-Associação Paulista para Estudo do Fígado)

Local: Auditório do Hospital Alemão Oswaldo Cruz – 14º andar

Rua João Julião, 331 - Paraíso / São Paulo – SP

Metrô Vergueiro ou Paraíso


INSCRIÇÕES E INFORMAÇÕES:

E-MAIL: portadoresdehepatites@gmail.com
Tel (11) 7486-4829

Inscrições: 1 Kg de alimento não-perecível ou produto de limpeza a ser doado para a APAT
APAT - Associação para Pesquisa e Assistência em Transplantes
http://www.apat.org.br/

PROGRAMAÇÃO


08h00 às 09h00– RECEPÇÃO

09h00 às 09h05 – APRESENTAÇÃO APAT

09h05 às 09h25 – COMO MELHORAR OS RESULTADOS DO TRATAMENTO

09h25 às 09h45– IMPORTÂNCIA DOS EXAMES DE CONTROLE NO TRATAMENTO
9h45 às 10h05 – COMO CONVIVER COM OS EFEITOS COLATERAIS DO TRATAMENTO

10h05 às 10h30 COFFEE BREAK

10h30 às 11h30 PERGUNTAS

11h30 às 12h00 – NOVOS TRATAMENTOS PARA HEPATITE C

12h00 – 12h10 – Sorteio de Brindes e Encerramento


REALIZAÇÃO: APEF –GAPHOR
APOIO: APAT – HOSPITAL ALEMÃO OSWALDO CRUZ

quinta-feira, 29 de abril de 2010

Esteatose Hepática - gordura inocente no fígado ?

A Esteatose Hepática (EH) , também conhecida popularmente como "fígado gorduroso" , é o acúmulo de gordura no interior das células hepáticas ( hepatócitos), excedendo 5% o peso do fígado.
Nas últimas 3 décadas, o "fígado gorduroso" tem sido alvo de grande interesse e investigação científica.
Pensava-se anteriormente que este processo só ocorresse nos casos de ingestão excessiva de álcool (esteatose alcoólica), porém esteatose não alcoólica pode ocorrer em diabéticos, em obesos ou com sobrepeso (faixa intermediária entre o normal e a obesidade), nos que usam certos tipos de medicamentos ou são expostos a algumas substâncias, nos desnutridos e em pessoas com distúrbios do metabolismo lipídico (colesterol e/ou triglicérides elevados). Outra condição que é associada à presença de esteatose hepática é a hepatite C crônica.
Desta forma, podemos dividir os pacientes que podem apresentar EH em 3 grupos:
  • Etilistas crônicos / ingestão abusiva de álcool
  • Portadores de Hepatites virais crônicas ( especialmente hepatite C )
  • Portadores de doença hepática gordurosa não-alcoólica (DHGNA)


A prevalência mundial da DHGNA na população é em torno de 20%  e  atualmente a EH é diagnosticada com maior frequência devido a ampla utilização dos métodos de imagem ( ultrassonografia, tomografia e ressonância magnética ) no diagnóstico de doenças abdominais.


Classificação e principais causas de DHGNA

Há vários motivos pelos quais o metabolismo natural de gordura pode ser alterado e levar à DHGNA.
O mais estudado está relacionado a resistência dos tecidos ao hormônio insulina, que regula e influencia todos os processos metabólicos que envolvem açúcares e gorduras. Com a resistência à insulina, há aumento da lipólise (transformação dos lipídeos em ácidos graxos, especialmente na forma de triglicérides), com o aumento no aporte de ácidos graxos ao fígado.

Causas:

Primária
Resistência a insulina 
  • Diabetes mellitus tipo 2 ou intolerância à glicose
  • Obesidade
  • Hiperlipidemia ( colesterol/triglicérides elevados )
Medicamentos
  • Corticosteróide ( reumatismos, asma )
  • Estrogênios ( anticoncepcionais )
  • Amiodarona ( arritimias )
  • Metotrexato 
  • Nifedipina ( hipertensão )
  • Salicilatos ( AAS )
  • Tamoxifeno
  • Tetraciclina
  • Isoniazida
  • Cloroquina
Secundária
Cirurgias
  • Gastroplastia 
  • Bypass jejunoileal 
  • Ressecções extensas do intestino delgado
  • Derivação biliopancreática
Outros
  • Abeta/hipobetalipoproteinemia
  • Doença de Weber-Christian
  • Toxinas industriais
  • Diverticulose  com supercrescimento bacteriano
  • Desnutrição proteico-calórica
  • Nutrição parenteral prolongada
  • Perda rápida de peso
  • Hipotireoideismo
  • Lipodistrofia
  • Doença inflamatória intestinal
  • Infecção por HIV

Pode ocorrer desde apenas a presença de gorduras no fígado (esteatose) até a esteato-hepatite (inflamação), fibrose e cirrose hepática. O principal mecanismo conhecido é a resistência insulínica (os tecidos não respondem bem à ação da insulina), comum nos diabéticos tipo II e nos obesos.
 
 
A ilustração acima nos mostra as diferenças entre um fígado saudável e um esteatótico. Observem o tamanho e a coloração amarelada do fígado gorduroso. Nas imagens de biópsias, pode-se notar a presença de gordura ( branca ) no meio do tecido hepático.



Qual o risco de se ter um "fígado gorduroso" ( esteatose hepática)?

A esteatose hepática, em si, não é uma doença, mas reflete uma doença metabólica.A EH pode ser encontrada isoladamente ou associada a achados necroinflamatórios das células do fígado, caracterizando a Esteato-Hepatite.  Infelizmente, por um motivo ainda desconhecido, o organismo desencadeia uma inflamação contra os hepatócitos com acúmulo de gordura, que são gradualmente destruídos. Dependendo da intensidade desta destruição, isso pode levar à formação de fibrose (cicatrizes) que vão se acumulando e progredindo até a formação de nódulos, o que caracteriza a cirrose. Nesta fase a função hepática encontra-se seriamente comprometida, às vezes, de forma irreversível.
Estudos populacionais demonstraram ainda que provavelmente grande parte das cirroses previamente sem causa definida pode ser atribuida a esse tipo de hepatite.


Quais são os sintomas de EH?
A maioria dos pacientes não apresenta sinais ou sintomas de doença hepática na ocasião do diagnóstico, embora alguns pacientes possam relatar fadiga, mal-estar, dor ou desconforto no quadrante superior direito do abdomem. Hepatomegalia (aumento do fígado) pode ser o único achado ao exame físico, ao passo que achados de doença hepática crônica ou diminuição do número de plaquetas sugerem doença avançada.

Como é realizado o diagnóstico de EH?
Em geral, o diagnóstico é feito de maneira acidental pelo encontro de elevação nas enzimas hepáticas ( ALT e AST ) e/ou pela presença de esteatose ao ultrassom de abdomem ou pelo encontro de hepatomegalia ao exame físico.
Alteração dos níveis de ferritina é encontrada na metade dos pacientes. Os valores sanguíneos dos triglicérides estão mais frequentemente elevados do que os níveis de colesterol e a concentração sanguínea do HDL (bom colesterol) está geralmente reduzida, parecendo existir uma relação inversa entre os valores do HDL e a intensidade da esteatose.

Esteatose versus esteato-hepatite


A diferenciação entre a esteatose "simples" e a esteatose com inflamação associada nem sempre é fácil e só pode ser confirmada pela biópsia hepática. A elevação das aminotransferases (AST e ALT), na ausência de outras causas (como a hepatite C, que tende a cursar com o aparecimento de uma esteatose), geralmente indica a presença de inflamação. Um dos sinais laboratoriais mais precoces, apesar de pouco específico, é o aumento da gama-glutamil transferase (GGT).
Uma esteatose hepática leve normalmente não causa sintomas ou complicações. Porém, quanto maior e mais prolongado for o acúmulo de gordura, maiores os riscos de lesão hepática. Quando há gordura em excesso e por muito tempo, as células do fígado podem sofrer danos, ficando inflamadas. Este quadro é chamado de esteato-hepatite ou hepatite gordurosa. Se não tratado, pode evoluir para cirrose.
Estudos epidemiológicos definiram que os pacientes com maior risco para progressão da doença são: maiores que 45 anos, relação AST/ALT > 1, obesidade e diabetes.



Qual o tratamento da esteatose hepática?

Não existe tratamento específico para esteatose. O alvo deve ser o tratamento dos fatores de risco citados acima. A fase de esteatose pode ser reversível apenas com alterações dos hábitos de vida.

Nos casos de esteatose associada ao consumo do álcool, a abstinência torna-se mandatória. Nos casos de pacientes portadores de hepatite C, a erradicação viral é acompanhada, em geral, com o desaparecimento da esteatose. Em muitos casos,  suspendendo-se o uso de algum medicamento hepatotóxico ou afastando-se da exposição a produtos tóxicos, temos a melhora do quadro esteatótico.
Sendo a obesidade um fator importante para o aparecimento da doença hepática gordurosa não alcoólica ( DHGNA), a redução de peso naqueles pacientes obesos tem sido a primeira iniciativa.
A perda de peso é uma importante medida, porém, não deve ser muito rápida ( máximo de 1,5 kg por semana) para não piorar do quadro de deposição de gordura no fígado . A prática regular de atividade física e a redução da ingestão calórica também ajudam muito, pois diminuem o colesterol e aumentam o efeito da insulina.
Diversos tratamentos farmacológicos para DHGNA estão sendo propostos, mas nenhum tem estudo comprobatório da sua eficácia. Os mais promissores são: genfibrozil ( hipolipemiante ), acido ursodeoxicólico ( reduz ácidos biliares, imunoprotetor e estabilizador de membrana ), agente antioxidantes (N-acetilcisteína,betaina e vitamina E ) e agentes que atuam na redução da resistência períferica à insulina ( metformina e glitazonas). Aguardamos futuras pesquisas onde estes agentes serão utilizados em estudos duplo-cego, placebo controlados.

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Síndrome do Intestino Irritável - Importante impacto na qualidade de vida

A Síndrome do intestino irritável (SII) é uma das afecções mais comuns do aparelho digestivo nos países ocidentais, caracterizando-se por dor e desconforto abdominais recorrentes associados à alteração do hábito intestinal ( diarréia, constipação ou alternância), na ausência de qualquer anormalidade orgânica.
Os pacientes podem  ainda apresentar  outras queixas como  distensão abdominal, cólicas, flatulência, urgência para evacuar e sensação de evacuação incompleta.
A doença incide em qualquer faixa etária, mas atinge especialmente indivíduos entre 20 e 40 anos, sobretudo as mulheres. Embora esta disfunção tenha uma evolução totalmente benigna, pode levar a um prejuízo significativo na qualidade de vida, pois apresenta um curso crônico, com grandes variações em sua intensidade e, por vezes, superpõe seus sintomas aos de outros distúrbios funcionais do aparelho digestivo, como dispepsias, refluxo gastroesofágico e constipação ou diarréia de origem orgânica.

Quais as causas da SII?
Muito se avançou na última década sobre o conhecimento dos mecanismos envolvidos no desencadeamento e perpetuação dos sintomas desta síndrome, contudo sua fisiopatologia não está totalmente esclarecida.
Entre os mecanismos envolvidos, podemos citar:
  • hipersensibilidade visceral destes pacientes associada à desrregulação de neurotransmissores intestinais, particularmente a serotonina, e seus receptores. ( alteração da regulação do eixo cérebro-intestinal levando a um aumento da sensibilidade intestinal aos estímulos dolorosos).
  • Fatores genéticos
  • Fatores psicossociais ( estresse emocional, ansiedade )
  • Alterações intestinais pós-infecciosas ou inflamatórias (gastroenterocolites)
  • Fatores alimentares (dieta fermentativa)
  • Alterações intestinais motoras ( resposta exagerada e inadequada dos movimentos intestinais aos estímulos alimentares ou emocionais)


Afecções frequentemente presentes nos pacientes portadores de SII:
Doença do refluxo gastroesofágico, afecções genitourinárias, fibromialgia, cefaléia tensional, síndrome da fadiga crônica (SFC), dor temporomandibular (ATM) e transtornos psicológicos.

Ainda que somente uma pequena parcela dos pacientes procure um gastroenterologista ( estima-se apenas 20% destes pacientes), a doença possui  uma importante repercussão na saúde pública, pois é responsável por perdas expressivas de horas de trabalho e por um decréscimo da qualidade de vida destas pessoas.

Como a SII é diagnosticada?
O diagnóstico baseia-se em dados clínicos, a partir de critérios estabelecidos por especialistas e resultantes de avaliações de estudos populacionais, chamados de critérios de ROMA III.
Os exames bioquímicos de sangue, exame de fezes, estudos de imagem ou endoscópico são importantes mas não imprescindíveis ao diagnóstico da doença, uma vez que os critérios de Roma baseiam-se fundamentalmente no quadro clínico: " presença de dor ou desconforto abdominal, geralmente aliviados pela evacuação, de início no mínimo há 6 meses, contínuos nos últimos 3 meses, associados a correlação do aspecto das fezes e sensibilidade evacuatória".
Lembro que na SII, por ser uma doença funcional, ou seja , sem alterações estruturais anatômicas , os exames subsidiários apresentam-se normais.
É importante lembrar que a ausência dos sintomas de alarme para câncer colorretal ( sangramento intestinal, perda de peso, febre, anemia ou massa abdominal palpável ) deve ser pesquisada e confirmada.

Qual o tratamento da SII?
O controle dos sintomas da SII pode ser alcançado por medidas que incluem dietas específicas, manutenção do equilíbrio emocional ( psicoterapia ) e medicação apropriada. Vários tipos de medicamentos são usados para o tratamento da SII, entre eles os reguladores intestinais, os prócinéticos, os bloqueadores do canal de cálcio, os antidepressivos,os inibidores das prostaglandinas, entre outros.
A SII é uma doença crônica e benigna, não relacionada à incidência de neoplasias do aparelho digestivo.
O paciente, com o tratamento, costuma ficar longos períodos assintomático, porém está sujeito a crises agudas, principalmente relacionadas aos transtornos emocionais ou a ingestão de algum alimento a que seu aparelho digestivo tenha maior sensibilidade.
O tratamento também pode ser auxiliado por atividades que passem tranquilidade ao paciente, como a psicoterapia, técnicas de relaxamento, yoga, exercícios físicos, pintura, música,etc.

Como a dieta interfere na SII?
A ingestão de alimentos e o estresse psicológico são os principais fatores desencadeantes e perpetuadores da síndrome. Normalmente os sintomas ocorrem logo após as refeições e em média 35 a 66% das pessoas que apresentam a SII não toleram certos tipos de alimentos.
Para avaliar se isto acontece com você, observe se a ingestão de um determinado alimento provoca diarréia ou constipação; anote os alimentos ingeridos e o número de evacuações/sintomas durante a semana. Vale lembrar que nem todas as pessoas são afetadas da mesma maneira pelos mesmos alimentos.
Alguns exemplos de alimentos que costumam desencadear sintomas na SII: alimentos gordurosos, ricos em sorbitol ( adoçante), latícinios, condimentados, cafeína e bebidas alcóolicas.
No caso da lactose, 25% dos pacientes com a SII podem apresentar intolerância a esta substância, e portanto a dimuição do seu consumo pode evoluir com a melhora dos sintomas em alguns casos. Nos pacientes com constipação, deve-se estimular a dieta rica em fibras. Nos casos em que há distensão abdominal devido a gases intestinais, alimentos como feijão, lentilha, cenoura, uva-passa, damasco, brócolis, couve-flor e cebola devem ser evitados.


Procure sempre um especialista.


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